Sons Efémeros… Conceitos do Momento…

Fala-se muito a respeito do stresse, hoje em dia, porque todos pa­recem estar stressados com algumas coisas. Stresse tornou-se palavra da moda e parece-me que já virou, até, a uma desculpa. Estou stressado, ou isto é tão stressante, mesmo até, na atenuação dos actos, é tanto stres­se. Na vertente do enciclopedismo, trata-se de um “conjunto de perturba­ções psíquicas e filiológicas provocadas por factores agressivos exter­nos e por emoções”.
Vivemos uma época identificada pela necessidade insaciável de co­nhecimento, que se caracteriza por uma explosão de informações e ciência. Com a mesma velocidade que o saber é gerado, ele torna-se, rapidamente, desactualizado. Na mais difícil missão de mudança que um ser humano possa viver, seja no aspecto profissional ou pessoal, existe, sempre, uma força interior que quando accionada consegue transformar o sofrimento em crescimento, no caminhar duma conquista que origina, a seguir, uma realização, afastando, desse modo, o stresse.
A capacidade de lidar com as crises e incertezas, a facilidade nos relacionamentos interpessoais e o equilíbrio emocional são o grande di­ferencial que se revela na colectividade, nos tempos que passam. Cada vez são mais exigidas tomadas de decisões diante das mudanças e estas podem apresentar-se, ao surgirem na nossa vida, como oportunidades ou como ameaças. Percebe-se, mesmo, quando as populações são a favor da inovação e das modificações que se tornam necessárias, emocionalmente, elas tendem, muitas vezes, a resistir. O envolvimento do viver na cor­rida vertiginosa dos acontecimentos, face a um mundo cheio de incógni­tas e consubstanciado pelo stresse poderá criar, sem dúvida, o fantasma do medo, que vai originar um estado de depressão. Por isso, quando na mente aparecer o stresse faça-se algo para afastar o receio. Para que possamos na vida sentir segurança não se deve dar tanto poder a uma pa­lavra como o stresse, que tenta arranjar, desse modo, uma desculpa para os nossos actos.
Toda e qualquer alteração exige de nós um período de preparação, aceitação, compromisso e transformação de cultura, crenças e maneiras de estar. Esse tempo não é respeitado pela velocidade com que as novas formas de viver acontecem no mundo, que pode gerar stresse avassalador nas pessoas ocasionando comportamentos disfuncionais, cada vez, agora, mais frequentes.
Muitas vezes ficamos stressados porque as nossas prioridades estão confusas. Muitos de nós consideramos e dinheiro como a coisa mais importante do existir. Isso, simplesmente, embora traga risos, não é verda­de. Temos algo bem mais importante e precioso sem o qual não podemos viver. A nossa respiração! E estamos, com este dito, a considerar uma afirmação, que salta à vista, como sendo “uma verdade de La Palice”.

Nota: Esta crónica, por vontade do autor, não segue a regra do novo acordo ortográfico.

(Imagem: “Vittude”)