Com o aparecimento da Sida, que no mundo científico se designa por “Aids”, agora secundado pelo flagelo da Covid-19, aliado ao aumento da violência e à escalada de drogas castigam, fortemente, os habitantes dom planeta Terra. A deterioração económica exacerba o clima de esperança. A percepção da falência do Estado, em áreas essenciais, por exemplo, na educação, na saúde, na segurança e nos transportes, entre outras, gera muita frustração. Esta era, para as crianças, jovens, seniores e idosos, será, sem dúvida, uma das mais perigosas da vida. Torna-se assustador pensar no futuro, abrindo-se a incógnita para o dia seguinte, quando ouvimos o primeiro ministro afirmar que as despesas de hoje serão impostos amanhã.

Desemprego, gravidez precoce, aborto, doenças sexualmente transmissíveis, sida, voltar a aparecer a tuberculose, conjugado com a droga e agravado com a pandemia compõem a trágica equação que ameaça destruir o sonho da mocidade e escancarar as portas para uma explosão violenta. A juventude de agora não foi preparada para a adversidade. E a delinquência é, naturalmente, a manifestação visível da depressão conjugado com a notória falta de apoio social. A situação é reflexo de uma cachoeira de equívocos e de uma montanha de omissões, na via das mentiras, ao ser afirmado que tudo está bem. O novo perfil da violação da lei pode ser a consequência da crise da família, face a uma educação permissiva e do bombardeio de sectores do mundo ligado ao entretenimento de intenso cariz balístico, que se empenham em apagar qualquer vestígio de valores. Tudo isto, obviamente, agravado pela falência das políticas estatais e a ausência de expectativas. Fala-se muito pouco, ou quase nada, da fase crítica da família. Mas o nó principal das desavenças conjugais talvez contribua para uma quota-parte da envolvência de todo o cenário maléfico da humanidade.

Senão tivermos a firmeza de desatá-lo, assistiremos, acovardados e paralisados a uma espiral de violência sem precedentes. A transgressão passou a ser a diversão mais rotineira. A valorização do sucesso sem limites éticos, a apresentação de desvios comportamentais num clima de normalidade e a consagração da impunidade têm colaborado para o alargamento  de toda a espécie de crime.

Neste espaço temporal a transformação da Internet num descontrolado espaço para a manifestação de actividades criminosas frequentes, na clandestinidade de alguns sites, desconhecem fronteiras, ironizam legislação e ao ameaçar o estado de direito estão na origem de inúmeros comportamentos patológicos. É preciso ir às causas profundas da delinquência. Ou encaramos toda esta panóplia aberrante com coragem, ou seremos tragados por uma onda de violência jamais vista. O resultado final da pedagogia da concessão, da desestruturação familiar e da crise da autoridade está apresentando consequências dramáticas. É necessário identificar a relação que existe entre o medo de punir e os seus efeitos anti-sociais.

 

Nota: Esta crónica, por vontade do autor, não segue a regra do novo acordo ortográfico.