Estamos em Maio, no mês do intenso desabrochar das flores, pelo que pode ser apropriado referenciar que as mulheres – flores entre as flores – são todas iguais, em determinado aspecto, quando nascem, porque aparecem conforme a natureza as concebeu. No decorrer da vivência e com a temática da virgindade a cair sobre elas, que nos tempos de agora já deixou de ser um mito, bem como face aos estilos de vida e modos de emprego, tornam-se diferentes. Quando a morte aparece, voltam a ser iguais, embora o local e a maneira do óbito seja diferenciado, mas todas, na visão da religião católica entregam a alma ao Criador.

O nosso país possui lindas moças. Não quer dizer que em qualquer outra parte do mundo não as haja, também, elegantes, mas todas, de igual mo­do, a privilegiarem as curvas harmoniosas das suas linhas corporais e inte­ressantes na maneira de traduzirem as graças que a natureza lhes doou. Afirma-se que a mulher espanhola é mais airosa e a francesa mais encanta­dora. Mas se na sedução e na perfeição das formas a mulher francesa e a espanhola poderão levar a palma à portuguesa, elas não excedem, entretan­to, na graça simples e no encanto da mulher das nossas terras, porque elas são naturais, sinceras e fascinam pela sua maneira de ser. É no olhar, seguido do seu porte nobre, que está o dom supremo da mulher lusi­tana. Valha a verdade dizer-se que Portugal é uma nação de elegantes ra­parigas. De Norte a Sul, do interior até ao litoral, abrangendo o terri­tório insular, existem, então, para todos os gostos.

Diversissímas nas feições, nas atitudes e na maneira de trajar, desde o tipo esbelto nas carnações da sua opulência feminina, cruzamento da serra e de oceano, até à mulher feiticeira, feita de ternuras alegres e de carícias arreba­tadoras, seguindo-se a moça do campo, trabalhadora e sã, queimada pelo sol ou crestada pelo ar do mar, culminando com a senhora “coquete” das cidades, que segue os livros de modas e bebe os ares dos grandes centros. É na província que se encontra o tipo mais natural e puro da beleza femi­nina, que não conhece em pormenor os compêndios nem os arrebiques da moda, sem pó de arroz e perfumes artificiais, perfeito no conjunto harmonioso das suas formas e linhas, na simplicidade da sua expressão encantadora e na correcção do seu porte naturalíssimo e gracioso. É a chamada arquitectura da verdade! Cada recanto da nossa terra tem o seu tipo de ele­gância e formosura e cada uma, como não podia deixar de ser, com os seus costumes e diferentes seduções.

No presente, a mulher actual, não descurando os atavios das suas formas agradáveis e os encantos do seu físico, já cuida, fortemente, da sua educação, desenvolvendo a inteligência no conjunto com as coisas do espírito. Honra lhe seja feita. É por isso que ela, hoje, domina mais do que nunca, porque tem a noção clara da justa frase do humanis­ta Vivés: “Todos os vícios da mulher derivam da sua ignorância”. Lutando contra o esta-tuído nesse tempo, Vivés queria que a mulher se educasse. Erasmo era da sua opinião. A mulher moderna está com eles!

Nota: Esta crónica, por vontade do seu autor, não seguem a regra do novo acordo ortográfico.