O mundo feminino, nas suas múltiplas formas de estar, movimenta-se no ecrã do caleidoscópio da vida, através do caminhar da fantasia, da imaginação, do erotismo, da sensação, do impulso, aliado, ainda, à raiva, ao ciúme e ao amor. Mas torna-se num universo fascinante, atentas as inúmeras facetas que decorrem do sentir da envolvência masculina.

O vestuário da mulher é um hino ao prazer dos sentidos, principalmente, o que cobre as suas partes sensuais, na imagem da lingerie, que pode abranger de entusiasmo e satisfação. Toda esta panóplia de visões e conjecturas tem atraído multidões, no transitar dos séculos, iniciando-se pela nudez da Eva, tendo chegado aos nossos dias numa metamorfose de cores, dimensões e feitios.

Segundo me ensinaram na passagem pela inocência, quando a Eva descobriu o pecado passou a cobrir as suas partes íntimas com uma pequena folha das árvores que existiam no Paraíso.
Os tempos foram passando, passando, e essa peça de roupa tornou-se bem tradicional em nome da moral e dos bons costumes. As mulheres preocupavam-se em esconder tudo, pernas, cotovelos, tornozelos, pescoço, enfim, haja pano! As calcinhas não existiam. As saias, pesadíssimas e com várias camadas de tecido garantiam um ambiente quentinho e protegido, lá por baixo, sem calcinha.

Essa situação propiciava desfrutarem de modo mais prático e fácil certa função orgânica, uma vez que qualquer levantadinha, em lugar apropriado, iria, sem dúvida, contribuir para o encaminhamento do prazer no firmamento da intimidade.

A moda da roupa interior feminina nunca parou. Apareceram, então, as calças, peça curta de vestuário que nunca passava dos joelhos. Acertava para os tempos de frio, pois mantinha a parte de baixo bem aquecida. Ladeou-se, noutra temporada, o uso das roupas íntimas, deixando correr soltas as nádegas, enchimentos, saias com armação e por aí em diante no panorama da realidade encoberta.

Começou a agitar-se outra forma de vestir. Apareceram os biquínis de variados formatos, o sutiã transparente e outros artefactos da indumentária feminina nas lojas de pronto a vestir ou em boutiques da especialidade.

No verão, nas praias, ou nas piscinas passaram a usar-se biquínis ousados, que podem ser só de uma peça até à cintura seguindo-se a nudez. Para cima, na vertente de topless. Na ida ou no regresso destes recantos repousantes da mente e do espírito vestem uma saia muito curta, aberta ao lado, às vezes, a mostrar a provocante cuequinha, que pode espantar a raça masculina já cansada de ver coisas deste género. Mas não deixa de ser, sempre, uma visão que torna a fadiga agradável, ao mesmo tempo que alivia tensões e alimenta a imaginação.

Vem a propósito referir que nos anos cinquenta, no decorrer de filmagens de grelha de ar , a atriz americana Marilyn Monroe levantou o vestido, mostrando as pernas e as calcinhas. Uma notícia ilustrada chegou a todo o mundo através dos jornais e revistas da época.

Quando a moda principiou a mexer nas saias tão longas, cobrindo até ao peito dos pés, elas foram subindo, subindo, subindo…. E quanto mais subiam mais as calcinhas diminuíam. Seguiu-se uma evolução proporcional. Saia mais curta, calcinha mais curta. No aparecer da minissaia, imaginem, a cuequinha ou calcinha virou fio dental. E muitas nem fio têm. Voltaram à folhinha da Eva.

Nota: esta crónica, por vontade do autor, não segue a regra do novo acordo ortográfico.

Foto: Zupi.pixelsshow