O Remo tem raízes em Viana do Castelo desde o princípio do século XIX, quando um grupo de associados do novel Viana Taurino Clube (acabara de se fundar/1910), recomendavam em carta crítica dirigida à Direção a insurgirem-se pela falta de secções desportivas, “…sem sequer pensarem em fundar, por exemplo, uma secção de desporto náutico, apesar das ótimas condições …”, mas não obstante não existir uma secção organizada, pela primeira vez o Taurino realizara uma regata no Rio Lima, integrada no programa das festas d´Agonia de 1912, na qual participaram o Taurino, o Fluvial Portuense e o Fluvial Espozendense.

Disputava-se a taça “Rainha D. Amélia”, troféu de prata, que seria ganho por quem vencesse três regatas consecutivas que se haviam de disputar nos anos seguintes.
O entusiasmo pelo Remo no seio do Clube ia crescendo, refletindo-se no número cada vez maior de adeptos o que levou à aquisição de três escaleres ao Fluvial Espozendense, pagos em duas prestações de 100$00, batizados com os nomes de Viana, Lima e Taurus.
Estava resolvida uma lacuna importante para o desenvolvimento da náutica e a própria existência da secção.

Continuava a prática do desporto alargado a várias modalidades, das quais se destacava o REMO e a Natação. As provas sucediam-se, agora com outros clubes a entrar na liça, sendo certo que pelas Festas da Senhora da Agonia era imperioso constar do programa as Touradas, os Fogos de Artifício dos exímios pirotécnicos vianenses e a NÁUTICA. Esta disputava provas de REMO sempre com entusiástico público a presenciá-las, enraizando-se cada vez mais no seu espírito.

Mercê desse entusiasmo funda-se o Clube Náutico de Viana em 1925, que haveria de dar forte incremento à modalidade, bem como a Mocidade Portuguesa no meio estudantil.
Até 1974, o Taurino, o Vianense e as associações referidas, mantiveram sempre viva a modalidade a par da Vela, Canoagem e Natação, quer concorrendo a provas oficiais, quer organizando simples encontros amistosos.

A Náutica em plena evolução apesar das precaríssimas instalações existentes!
Após o 25/04, a Direção Geral dos Desportos, instala Delegações em todos os distritos, criando-se as Escolas da D.G.D. que em Viana do Castelo abarcava mais de vinte modalidades. Dotada de técnicos licenciados e mais de uma vintena de animadores, iniciou-se o recrutamento para a formação e apoio aos clubes e núcleos que se iam formando. Paralelamente, aproveitando as férias, realizaram-se as primeiras demonstrações práticas de iniciação às disciplinas de REMO e Canoagem em Monção, Valença, Ponte da Barca, Melgaço, Vila Nova de Cerveira e Ponte de Lima, com elevado número de presenças. Existia já o Sporting Caminhense que se destacava na modalidade com presença valorosa nas provas que disputava com clubes de Lisboa, Porto, Figueira da Foz e o próprio Clube Náutico com quem mantinha acesa rivalidade. Isso não impedia manter as mais sãs relações entre os clubes que se traduziam em cedência de embarcações e também de atletas. Ilídio Silva, remador olímpico, foi campeão nacional pelos clubes Caminhense e Náutico, aqui fazendo dupla com José Rego em double scool, e também se sagrou campeão de Espanha, em representação do Real Club de Vigo.
Um excecional remador de Caminha, bem como inúmeros de Viana do Castelo, limitando-me a citar o Loureiro, irmãos Cruz, Xico Torres e tantos outros que seria fastidioso enumerar.

Em 1977 funda-se o clube O ARCO, pela mão de Fernando Estima e Félix Ribeiro, que mais tarde iniciam diligências para se fundir com o Náutico. Nova rivalidade se desenvolve nas águas do Lima, acabando por se estabelecer um acordo de cavalheiros: O NÁUTICO continuaria apostado na formação com equipas de todos os escalões e o ARCO receberia os atletas que dessem garantias para a competição.

O NÁUTICO, insatisfeito, contrata o búlgaro MIKOV para treinador, numa tentativa de regressar à alta competição, sem grande êxito.

Em 2012 aparece o clube ASSOCIAÇÃO REMADORES DO LIMA, resultante daquela fusão, cujas negociações arrastavam-se desde 2007.

Mercê do acordo alcançado, a Câmara Municipal inicia as obras para o magnífico complexo hoje existente.

Será bom recordar que quanto a instalações, a náutica passou por situações de extrema dificuldade: primeiro com hangar num armazém/garagem da Alfândega, onde couberam a extinta Mocidade Portuguesa, depois a Delegação da D.G.D. e ainda o Clube Náutico, acabando este por conseguir construir um barracão, a título precário, junto ao Lima onde se manteve até à fusão.

Amândio Passos Silva
Ex-Delegado da DGD