Um acampamento militar romano, descoberto em 2019, no Alto da Pedrada em Arcos de Valdevez, começou esta semana a ser alvo de intervenção para recolher evidência arqueológica do primeiro reduto do exército romano no Norte de Portugal, divulgou a câmara.

Em causa está a descoberta de investigadores portugueses e galegos, em 2019, de 25 novos sítios no norte de Portugal e na Galiza, entre eles, “um recinto fortificado, em bom estado de conservação, localizado em Arcos de Valdevez, na serra do soajo, em pleno parque nacional da Peneda-Gerês (PNPG), no distrito de viana do castelo.

Segundo os investigadores, a descoberta veio “comprovar arqueologicamente” a presença militar romana nos dois territórios, correspondendo a maioria dos locais a “acampamentos militares”.

Esta segunda-feira, na nota enviada à imprensa, a Câmara de Arcos de Valdevez adiantou que “os trabalhos arqueológicos hoje iniciados no Alto da Pedrada e que se prolongam até ao final da semana, são financiados integralmente” pela autarquia, num investimento de 11.500 euros e envolvem, “administrativamente, outras entidades locais, como as Juntas de Freguesia e Baldios de Soajo, Cabreiro e Gondoriz, bem como o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas”.

O “recinto do Alto da Pedrada está localizado a uma altitude de 1.416 metros, o ponto mais alto de todo o distrito de Viana do Castelo”.

Segundo a Câmara de Arcos de Valdevez, “os trabalhos arqueológicos integram-se no projeto Finisterrae, financiado pela Comissão Europeia através de uma bolsa individual Marie Skodowska-Curie, liderada por João Fonte (Universidade de Exeter)”.

Na altura da descoberta, à Lusa, João Fonte explicou que os investigadores identificaram cinco tipologias de locais, tais como pequenos recintos, que albergavam entre 100 a 1.500 militares, acampamentos de tamanho médio que hospedavam dois a quatro mil soldados, grandes acampamentos, recintos que excedem os 20 hectares e fortificações estacionais de pequeno tamanho.

João Fonte acredita que o Alto da Pedrada, que tem um hectare, poderá ter acolhido “cerca de mil soldados” durante o final do século I a.C.

Apesar das evidências arqueológicas encontradas, a equipa de investigadores pretende agora “trabalhar esses locais”, uma vez que é ainda necessário “saber quais os momentos históricos a que se referem, e contextualizá-los”.