O presidente não executivo da AdAM – Águas do Alto Minho, Carlos Martins, informou o acionista maioritário da empresa, a AdP – Águas de Portugal, SGPS, SA, a sua intenção de deixar de exercer o referido cargo. Refere, a propósito, que “chegou a hora de repensar o modelo de governança e reforçar a gestão de proximidade com um presidente executivo”.

João Neves, que recentemente ingressou na empresa, assumirá as funções de presidente executivo da AdAM. Licenciado em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia do Porto, João Neves enquanto administrador da AdP – Águas de Portugal conduziu o grupo de trabalho criado em janeiro de 2021 para reforço da resposta da AdAM à necessidade de operacionalização dos serviços comerciais e de melhoria da capacidade de atendimento ao cliente.

Carlos Martins continuará a exercer as suas funções na AdP SGPS, designadamente no desenvolvimento dos projetos de integração de sistemas “em Baixa”.

A AdAM – Águas do Alto Minho é uma empresa 100% pública, detida pelo Grupo Águas de Portugal (51%), em parceria com os municípios de Arcos de Valdevez, Caminha, Paredes de Coura, Ponte de Lima, Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira.

A empresa foi constituída em 2019 para gerir o sistema de águas da região do Alto Minho, tendo iniciado atividade em janeiro de 2020. O primeiro ano de atividade foi marcado por duas situações que dificultaram o normal desempenho da empresa. Houve contestação pública, muitas reclamações e mesmo quem pedisse a reversão do processo que deu origem à sua formação.

Há dias decorreu uma audição na Assembleia da República da administração da AdAM, das Águas de Portugal e dos presidentes de Câmara, que integram a empresa de Águas do Alto Minho. Segundo uma nota do PCP sobre a mesma, apesar de, na região, “os autarcas reconhecerem que o serviço prestado pela AdAM é pior e se dizerem enganados pela empresa, a verdade é que na Assembleia da República todos os sete presidentes de Câmara alinharam na defesa do sistema da AdAM ignorando os problemas causados à população.” Os comunistas continuam a asseverar “que não há alternativa à reversão do processo e ao regresso da gestão das águas e saneamento à Câmara.”

Entretanto, a AdAM acaba de aprovar, em Assembleia Geral de Acionistas, o Relatório e Contas de 2020 e o Plano de Atividades e Orçamento para 2022, onde se destacam o conjunto de projetos destinados à expansão de redes de água e águas residuais, que representa cerca de 20 milhões de euros, e para redução de perdas de água, com um investimento de cerca de 13 milhões de euros, ambos beneficiando de financiamento