O concelho de Vila Nova de Cerveira apresenta-se com a média de um jovem por cada dois idosos, de acordo com os dados provisórios dos Censos 2021. Este dado, complementado com as causas, consequências e possíveis soluções, foi um dos mais abordados na primeira conferência do inédito projeto municipal ‘Em Cerveira, Acontece…’, realizada na passada sexta-feira, no Auditório da Biblioteca Municipal, com a presença do presidente da Câmara Municipal, Rui Teixeira, e do Professor Doutor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, José Cunha Machado, sob moderação do Doutor Fernando Cabodeira.

Tendo como mote a “Demografia do Município de Vila de Cerveira – Resultados Provisórios dos Censos 2021 em Debate”, o conferencista Doutor José Cunha Machado começou por apresentar um balanço das transformações demográficas entre os Censos de 2011 e de 2021, para avançar com uma análise mais minuciosa dos dados provisórios dos Censos 2021 em Vila Nova de Cerveira. De uma forma generalizada, o concelho cerveirense perdeu 7,2% de portugueses na última década, tendo registado um aumento de quase 70% do número de pessoas estrangeiras fora da União Europeia, ou seja, um saldo natural negativo de 578 para um saldo migratório positivo de 278, nos últimos 10 anos. O estudo apresentado pelo Doutor José Cunha Machado analisou também de forma sintética as 11 freguesias que compõem o concelho, baseando-se em dois indicadores: população residente e índice de envelhecimento.

Não obstante, a questão da juventude foi aquela que suscitou uma maior preocupação entre os presentes e, consequentemente, um debate mais incisivo, após o professor universitário ter mencionado algumas estatísticas inquietantes no que diz respeito à redução de jovens e ao índice cada vez maior de envelhecimento. Segundo o Doutor José Cunha Machado, o concelho de Vila Nova de Cerveira apresenta-se com uma média de um jovem por cada dois idosos, existindo 230 idosos por cada 100 crianças e jovens com menos de 15 anos.

As razões de cariz natural (nascimentos e óbitos) e migratório apresentam-se como a justificação para uma grande oscilação na população cerveirense não só na última década, como nos últimos 30 anos. Por um lado, a redução da natalidade por conta do adiamento da idade para um casal decidir ter o primeiro filho e, por outro lado, a procura de melhores condições de vida noutros concelhos ou mesmo noutros países.

Apresentado o diagnóstico demográfico de Vila Nova de Cerveira, e aberto o debate ao público presente, o presidente da Câmara Municipal, Rui Teixeira, projetou algumas das linhas diretivas para o futuro, focando-se no problema da falta de habitação em Vila Nova de Cerveira, assim como os elevados valores praticados. Rui Teixeira recordou que “o Acordo de Colaboração com o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), elaborado pelo executivo anterior e assinado, em novembro, pela Câmara Municipal, revela-se insuficiente por se basear num diagnóstico muito leve das reais necessidades de habitação social, prevendo uma intervenção em muito menos casas do que seria necessário. Queremos uma atuação mais ambiciosa, pelo que vamos efetuar a revisão do documento de forma que permita abranger situações que não estão plasmadas no trabalho de base como são as condições de habitabilidade dos bairros sociais e o arrendamento e o acesso do 1.º direito pelos jovens”.

Complementarmente, o autarca cerveirense apontou como possíveis soluções “a construção privada e a habitação a custos controlados, não só no preço das habitações, mas também com impacto no arredamento, sobretudo para possibilita a fixação de jovens”.