O bispo de Viana do Castelo pediu hoje desculpa pelo caso do padre da paróquia de Monção que confirmou segunda-feira ter abusado sexualmente de um menor, afirmando ser com “dor e sofrimento” que experimenta esta realidade na sua diocese.

João Lavrador, que preside à Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, falava aos jornalistas no final de uma sessão de apresentação da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Comunicação Social “Falar com o Coração”.

O bispo afirmou que, assim que tomou conhecimento dos factos, afastou o pároco e encaminhou o processo internamente e também para o Ministério Público.

João Lavrador disse ter chamado de imediato, tanto a vítima, como o agressor, confrontando-o “com a realidade”, tendo disponibilizado “todos os meios para ajudar [a vítima e a família] naquilo que seja possível e que seja pedido”.

Segundo o bispo, o padre “assumiu imediatamente o problema”, tomando a decisão de se afastar de todas as funções, o que “facilitou o processo”.

“Espero que ele até já esteja fora das paróquias”, declarou, adiantando que espera mandar nos próximos dias “uma carta aos paroquianos que ele serviu” para pedir “desculpa e perdão” pela “preocupação muito grande de verem que afinal alguém que esteve à sua frente os enganou”.

“Agora, claro, isto não evita em primeiro lugar, a dor, o sofrimento que é meu, que é da diocese, que é das paróquias onde ele serviu, porque se sentem defraudadas”, declarou.

João Lavrador afirmou que uma coisa foi “experimentar racionalmente”, de forma “intelectual”, o problema dos abusos no seio da igreja católica, outra é sentir “a dor, o sofrimento, na realidade”.

Para o bispo, o facto de o caminho estar “bem delineado”, definindo os procedimentos a adotar, permitiu o encaminhamento imediato do processo.

A diocese de Viana do Castelo anunciou na segunda-feira, em comunicado, ter “proibido” um padre de Monção de exercer o sacerdócio depois de este ter confirmado um caso de abuso sexual de menor, conhecido através de “uma denúncia”, comunicada “às autoridades civis e canónicas competentes”.

Segundo o comunicado, confrontando com os indícios apresentados, o pároco de várias freguesias de Monção “confirmou os factos de que é acusado e comunicou a sua decisão de se afastar do exercício das suas funções”.

“A diocese informa, igualmente, que, tendo em vista as normas do direito canónico, o mesmo sacerdote se encontra proibido de exercer publicamente o ministério”, adianta a nota.

No documento, a diocese “partilha do profundo sofrimento da vítima e família, sendo com enorme sentimento de vergonha que torna públicos estes factos, desejando, também, exprimir o maior afeto e cuidado às comunidades paroquiais até agora confiadas” ao pároco.

“Nesta circunstância particular, a diocese de Viana do Castelo quer reforçar o desejo de ser um ambiente seguro e um espaço onde se possa dar voz ao silêncio, pedindo, ainda, todo o esforço, coragem, confiança e oração à comunidade diocesana, neste momento especialmente doloroso”, refere a nota.

O padre ministrava nas paróquias do Divino Salvador de Cambeses, Santa Maria de Abedim, Nossa Senhora das Neves de Bela, São João Baptista de Longos Vales, São João Baptista de Portela e São Miguel de Sago e, era assistente dos convívios fraternos, em Monção.

Lusa