A coordenadora do Bloco de Esquerda pediu hoje, em Viana do Castelo, “cuidado especial” no processo de vacinação contra a Covid-19 dos profissionais das escolas. Catarina Martins não se quis pronunciar sobre as notícias do plano de desconfinamento, mas falou da importância da vacina nos sectores a desconfinar.

“Sendo a vacina eficaz, é muito necessária a todos os setores que desconfinam. Desse ponto de vista, há um setor que, não sendo onde existam propriamente surtos, ao contrário dos lares de idosos, onde existiram muitos surtos, mas que é necessário olhar com especial cuidado, e falo das escolas”, explicava, aos jornalistas, Catarina Martins.

A coordenadora do Bloco chamou a atenção para o envelhecimento quer do corpo docente, quer dos auxiliares educativos. “O corpo docente em Portugal está muito envelhecido e não só. Os profissionais das escolas são dos mais envelhecidos do país. Sendo certo que a escolas não foram um foco de risco, não é menos verdade que os profissionais que estão todos os dias nas escolas estão expostos a riscos. E havendo tanta gente que faz parte desses grupos em que é preciso ter mais cuidado, naturalmente que a sua vacinação é importante para que as escolas possam reabrir com segurança”.

“A nossa escolha não tem de ser, não deve ser, entre fechar as escolas completamente ou ter as escolas abertas como se não existisse pandemia. É possível e devia ter sido feito, dividir mais os grupos de alunos, as turmas, contratar mais pessoal docente e não docente, para utilizar espaços mais amplos e com isso proteger a saúde de todas pessoas”, frisou a bloquista.

Sem querer pronunciar-se sobre o plano de desconfinamento, que ainda não é conhecido, Catarina Martins explicou que “não há nenhum plano oficial. Tenho ouvido muitos comentadores a dizerem o que acham que vai acontecer. Respeito a opinião de cada um e de cada uma, mas pronunciar-me-ei sobre programas oficiais de desconfinamento”.

“O desconfinamento será necessariamente lento e, portanto, as medidas de apoio económico, social, de proteção de emprego e salários continuam a ser fundamentais e têm escasseado”, salientou. Apelando ainda ao reforço do Serviço Nacional de Saúde. “É necessário garantir os técnicos para garantir para fazerem os rastreios dos contactos de todos os infetados para que o desconfinamento não se torne numa oportunidade para uma nova vaga (?)É preciso um plano para recuperar os cuidados não Covid, nomeadamente os prioritários, que também têm estado parados e que precisam mais gente no SNS”, explicou.

Catarina Martins anunciou que atualmente “no SNS estão, na linha da frente, milhares e milhares de trabalhadores precários, que não sabem se o dia a seguir à pandemia representa o despedimento”.