Os responsáveis da Associação Empresarial de Viana do Castelo (AEVC), da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM Alto Minho), da Confederação de Comércio e Serviços de Portugal e da Associação Empresarial de Portugal estiveram reunidos para debater a “Reabertura, em fases, do mercado e economia transfronteiriça no Alto Minho”.

Manuel Cunha Júnior, José Maria Costa, João Vieira Lopes e Luís Miguel Ribeiro, a convite da AEVC, debateram este tema numa altura em que a realidade da vida empresarial está em mudança devido à crise provocada com a pandemia da Covid 19. Essa foi, aliás, uma constatação transversal a todos os intervenientes, tendo João Vieira Lopes sublinhado que a crise modificou o setor a vários níveis.

“Antes da crise, noventa por cento das compras digitais eram feitas em sites chineses e hoje, mais de oitenta por cento é feita em sites portugueses”, sublinhou, defendendo a digitalização do comércio de proximidade com a mudança de hábitos de consumo, sendo necessário dar “um salto qualitativo” na digitalização deste território.

A propósito, Manuel Cunha Júnior informou que a AEVC e a autarquia, juntamente com a ACEPI, criaram um ‘market place’ para o comércio tradicional local, que junta já 104 empresas em poucos dias.

Já o presidente da AEP referiu-se à oportunidade criada com a sensibilização para que se consuma nacional, lembrando o trabalho desenvolvido no 100% Alto Minho, considerando que esta é uma “aposta clara, séria na revitalização da indústria”.

José Maria Costa, na qualidade de presidente da CIM Alto Minho, sublinhou a importância da economia da região na área industrial, “Mas a base mais antiga é o pequeno comércio, a restauração e a pequena hotelaria”, frisou, para lembrar a dependência desta para com a Galiza e defendendo apostas como a dos Caminhos de Santiago e a defesa de produtos endógenos, como os vinhos, os enchidos e o turismo de natureza, com o Parque Nacional da Peneda Gerês à cabeça.

Valorizar o “Made In Portugal”, o compre nacional, a digitalização do comércio e a aposta no comércio seguro nas zonas de fronteira é, para José Maria Costa, fundamental para o futuro da região, enunciando propostas de futuro como a anulação de portagens no território, a isenção de taxas e licenças municipais para o comércio e a criação de um marketing digital para o território, com uma campanha de promoção do território destinada à vizinha Galiza.

Neste âmbito, o presidente da AEVC sugeriu mesmo que exista uma política de equalização económica de fronteira para que os preços convidativos de cidades como Vigo não sejam fator da dispersão, sobretudo no turismo.

No final do encontro, foi sublinhada a importância das redes de cooperação, como é o caso da Euro-região para o mercado e a economia da região de fronteira. Luís Miguel Ribeiro lembrou o trabalho desenvolvido pela euro-região Norte de Portugal Galiza e foi secundado pelo autarca de Viana do Castelo e presidente da CIM Alto Minho, que propôs mesmo levar esta matéria ao responsável pelo Eixo Atlântico, ao colega de Braga, Ricardo Rio, e ao ministro do Planeamento, de forma a existir o que apelidou de Programa Específico, no âmbito da reprogramação de fundos comunitários, para apoiar esta euro-região.

Foi consensual uma estratégia para as áreas de fronteira:

  • Redução do IVA da Restauração, isenção/redução portagens na zona de fronteira e isenção de taxas e licenças dos municípios para comércio e restauração;
  • Programa Comércio Seguro

– Apoio a fundo perdido para a renovação dos interiores e esplanadas do comércio e restauração;

– Apoio a fundo perdido para programas de comércio digital e novas formas de distribuição de produtos;

  • Campanha Promoção

– Apoio para programas de promoção nos meios de comunicação, realização de eventos, animação de ruas e valorização dos produtos regionais.