O chamado “Violador do Facebook” foi hoje, dia 11 de outubro, condenado no tribunal de Viana do Castelo a quatro anos de prisão efetiva por ameaças de morte ao ex-marido da atual companheira, que conheceu através do Facebook.

Rogério Pebre, de 52 anos, e que estava condenado a 15 anos e meio, por rapto, sequestro, violação e abuso sexual da própria filha, utilizou dois telemóveis na prisão da Carregueira para aceder à rede social e convencer uma mulher de 38 anos, natural de Viana do Castelo, a deixar marido e filhos. Posteriormente, alegadamente ameaçou o companheiro e uma vizinha daquela mulher.

No início do ano passado Rogério Paulo Rodrigues Pebre, um ex-guarda-noturno e segurança, iniciou a troca de mensagens íntimas com a mulher de uma freguesia de Viana do Castelo. Utilizou dois telemóveis e sempre a partir da prisão da Carregueira, onde já teve 28 sanções disciplinares desde que cumpre pena (cinco delas em isolamento numa cela de segurança), nunca tendo beneficiado de qualquer precária. Da mesma forma que, em 2009 e 2010, convenceu outras mulheres, voltou a ter sucesso em 2017. Rapidamente esta nova paixão forneceu o seu número de telemóvel e o de um filho menor, além de lhe ter facultado a sua palavra-passe do Facebook. Paulo Rodrigues era o nome utilizado na rede social e convenceu a mulher a deixar a família e a ir ter com ele a Lisboa. Isso veio a acontecer mais tarde, sem os dois mais quatro anos por dois crimes de ameaça agravada, dois de ameaça simples e um de coação agravada.

 

Vizinha conta a marido

Segundo noticiaram alguns órgão de comunicação social, em fevereiro, o marido da mulher de Viana toma conhecimento através de uma vizinha, dona de um café, do relacionamento facebookiano. Essa vizinha tinha já sido ameaçada num telefonema de Rogério Pebre, daí ter decidido contar. A partir daqui, e percebendo Pebre que estas pessoas eram um obstáculo à sua nova relação, as ameaças cresceram, em mensagens no Facebook e telefonemas, e chegaram ao próprio marido que pouco depois iniciou um processo de divórcio e de tutela dos filhos. Nesta fase, a seduzida pelo recluso fez queixa na polícia, por tentar acabar com a relação pela rede social e ter sido ameaçada. Nunca chegaram a conhecer-se, admitiu a mulher no testemunho à PSP. Assim se iniciou o inquérito no Ministério Público de Viana do Castelo.

As ameaças à vizinha foram as mais graves e originam a acusação de dois crimes de ameaça agravada. Disse que a matava e que lhe atiraria “com ácido sulfúrico à cara”. “Vou matar-te a ti e aos teus filhos”, ameaçou. No depoimento, a senhora disse não o conhecer de lado nenhum e “não entender como um recluso podia ter telemóvel”. E, por lei, não pode. No caso do marido há dois crimes de ameaças. Prometeu que mal pudesse iria a Viana do Castelo acabar com ele, entre outros insultos. Por isso, este homem de Viana do Castelo constituiu-se assistente no processo e avançou com uma acusação particular por injúrias e difamação, que o MP acompanhou, e pede uma indemnização de 5900 euros.

Mas o poder de persuasão do recluso parece ter convencido a mulher de 38 anos. Semanas depois, desiste da queixa após ter abandonado a família. Escreve ao MP a dizer que foi convencida pelo marido a fazer a queixa, que alguém “pirateou a conta de Facebook do Paulo Rodrigues” e que afinal ele é a pessoa com quem quer viver. O MP acabou por arquivar a sua queixa, mas não irá livrar de ser ouvida como testemunha no julgamento em tribunal coletivo. Já com o processo de divórcio iniciado, o marido continuou a receber ameaças do homem que está preso.