Fábio Araújo foi hoje, dia 21 de novembro, condenado a 14 anos de prisão por “homicídio agravado”. O advogado, Jorge Costa, já afirmou que vai recorrer da sentença. O outro arguido, Carlos Ferraz foi “absolvido”.

“Eu li o Acórdão em súmula. Não tive oportunidade de ler em detalhe, mas entendo que a pena aplicada é excessiva para um indivíduo primário. Para um contexto de ameaças de morte, como ficou provado, e neste sentido ponderamos recorrer”, dizia, no final da sessão o advogado. Jorge Costa apontava dois objetivos. “Alguém agride alguém e acaba por causar a morte, mas não há intenção de matar e isso também resultou demonstrado. Não havendo intenção de matar, a pena única de 14 anos parece-me ser excessiva”, acrescentava. Adiantando que “quer quanto ao tempo da pena e a qualificação jurídica vou estudar a situação e ponderamos apresentar recurso”.

Jorge Costa compreende a revolta dos populares com a absolvição de Carlos Ferraz, mas diz que em “alegações finais” já tinha pedido o mesmo.

A juíza do Tribunal de Viana explicou que “o arguido Carlos tem de ser absolvido. Não há nenhuma prova que teve algum papel” na morte de Vítor Coimbra. Adiantando que “o que houve foram duas refregas separadas”.

A juíza leu a sentença e falou dos factos provados, dizendo que os arguidos se deslocaram de “Vila Nova de Cerveira a Viana do Castelo”, e que Fábio Araújo tinha “como intuito agredir fisicamente Vítor Coimbra”.

Ficou ainda provado que a arma do crime foi uma faca com uma lâmina de 21 centímetros.

A juíza explicou ainda que “a justiça não se faz pegando numa faca”. Acrescentando que “é num momento que se desgraça a vida de várias pessoas”.

“No momento em que dá uma facada, o senhor [falando diretamente para Fábio] sabe que o risco de morte é grande”, esclarece, manifestando que a pena é agravada pelo “meio usado”, uma vez que a facada foi dada pelas costas. “Este é um meio traiçoeiro”, concluiu.

“Tem de pagar perante a sociedade por aquilo que fez”, dizia, mas “é preciso dar um sinal para o exterior”. Acentuando que “isto não é maneira de resolver” os problemas.

Os familiares e amigos de Vítor Coimbra, à saída do tribunal, manifestaram-se contra a decisão do Tribunal. Palavras como “assassinos” e que “justiça é esta” foram entoadas no exterior.

A mãe dos três filhos de Vítor Coimbra era uma das mais revoltadas e dizia: “não é você que tem de levar os três filhos ao cemitério para eles conhecerem o pai”.