Começa esta segunda-feira, dia 02, e prolonga-se até 08 de agosto o MDOC Festival Internacional de Documentário de Melgaço. Depois da edição do ano passado ter sido cancelada devido à pandemia da Covid-19, nesta 7.ª edição há 31 documentários em competição, 19 longas-metragens e 12 curtas e médias metragens, oriundas de 17 países, entre de Portugal, Espanha, Alemanha, França, Finlândia, Dinamarca, Polónia, Roménia, Bielorrussia, Noruega, Brasil, Sérvia, Irão, Argentina e El Salvador. Mais de 20 realizadores e elementos da equipa técnica dos filmes a concurso, bem como vários elementos do júri, já confirmaram a sua presença em Melgaço durante o festival.

Além do prémio Jean Loup Passek, que anualmente distingue os filmes em três categorias – melhor longa-metragem internacional (3.000€), a melhor média ou curta-metragem internacional  (1.500€) e o melhor documentário português (1.000€) – pela primeira vez o prémio Jean Loup Passek irá distinguir o melhor cartaz de cinema, de filmes produzidos em Portugal e na Galiza. A Federação Internacional de Cineclubes (FICC) associa-se pela segunda vez ao festival MDOC para atribuir o prémio D. Quijote para melhor longa-metragem e melhor curta ou média metragem. Pela primeira vez

Na 7.ª edição do MDOC, o júri do prémio Jean Loup Passek é composto pelo realizador multipremiado, de origem italiana, Alessandro Negrini, o realizador e professor de cinema da Universidade Rey Juan Carlos, Alfonso Palazón, a professora e programadora do festival etnográfico de Recife, Brasil, Jane Pinheiro, e pelas realizadoras Julia Kushnarenko e Susana de Sousa Dias, ambas vencedoras do prémio Jean Loup Passek na última edição. O júri do prémio Jean Loup Passek para melhor cartaz de cinema é constituído pelos designers Paula Tavares,  Jorge Silva e Marcos Covelo. Já o júri do prémio D. Quijote é constituído por António Francisco Pita, do Centro de Estudos Cinematográficos da Associação Académica de Coimbra, Dagmar Kamlah, cineasta e curadora alemã, e Dragan Fimon, realizador e professor na Academia de Artes de Belgrado (Sérvia).

Este ano, pela primeira vez e em colaboração com La Plantación – Encuentros e Conocimiento, realiza-se a oficina de cinema “Trabalho” com o realizador Pedro Costa, entre 02 e 05 de Agosto. Tomando como ponto de partida o seu percurso e os seus filmes, Pedro Costa abordará as várias etapas e os diferentes aspetos do trabalho em cinema.

Nesta sétima edição, o MDOC associa-se à comemoração do 25.º aniversário do Dia do Brandeiro, festa que celebra a transumância e é uma homenagem aos construtores da comunidade agropastoril da Branda da Aveleira. O programa, no dia 6 de Agosto, inclui a projeção de um documentário, um debate sobre arquitetura popular com a participação dos arquitetos António Menéres e Fernando Cerqueira Barros, do geógrafo Álvaro Domingues e de José Rodrigues Lima, o grande impulsionador desta celebração, uma visita à Branda da Aveleira e a inauguração de duas exposições do fotógrafo Luís Miguel Portela.

Das atividades habituais do festival contam-se o curso de verão Fora de Campo, coordenado por José Ribeiro da Silva, este ano dedicado às narrativas na primeira pessoa, as residências cinematográfica e fotográfica Plano Frontal que irá receber 12 jovens cineastas e 3 fotógrafos, selecionados entre vários candidatos nacionais e internacionais, com o objetivo de realizarem quatro documentários e três projetos fotográficos sobre o concelho de Melgaço, entre 30 de julho e 08 de agosto. Os grupos selecionados na edição de 2021 são constituídos por alunos da ESMAD – Escola Superior de Media Artes e Design, PPorto, ESAP – Escola Superior Artística do Porto, Universidade da Beira Interior, Universidade de Aveiro e Universidade Lusófona do Porto. Os candidatos selecionados que irão desenvolver os projetos de fotografia são alunos da Universidade Católica, do Instituto de Produção Cultural e Imagem e da ESCAC – Escuela Superior de Cine y Audiovisuales, em Barcelona.

Realiza-se ainda, o 4.º Kino Meeting – encontro internacional de literacia para o cinema. Este ano o encontro foca-se na temática “Outros Públicos”, dedicado sobretudo a atividades educativas destinadas a públicos especiais.

Regressa também o projeto transdisciplinar Quem somos os que aqui estamos? que durante os últimos meses se dedicou a um levantamento criterioso sobre as freguesias de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro. O projeto é coordenado por Álvaro Domingues e conta com a colaboração de Albertino Gonçalves, do antropológico Daniel Maciel, na recolha de testemunhos e de álbuns de família, do fotógrafo João Gigante que apresenta um trabalho de fotografia documental e de Carlos Viana com a realização de  registos de audiovisual intitulados Fotografias Faladas, além de compreender ainda um catálogo e uma publicação sobre o projeto. Este ano, o projeto conta ainda com um trabalho da realizadora Tânia Dinis.

A programação estende-se ao longo de sete dias e inclui ainda exposições, oficinas de cinema, apresentações de filmes e debates com realizadores e projeções de filmes ao ar-livre em várias freguesias do concelho de Melgaço, encerrando na noite de 8 de Agosto com a já habitual sessão ao ar-livre na Torre do Castelo de Melgaço, este ano com a projeção do filme “Entre Leiras”, de Cláudia Ribeiro, com a presença da realizadora.

O MDOC Festival Internacional de Documentário de Melgaço é organizado pela AO NORTE – Associação de Produção e Animação Audiovisual desde 2014 em parceria com a Câmara Municipal de Melgaço e pretende promover e divulgar o cinema etnográfico e social, refletir sobre identidade, memória e fronteira e contribuir para um arquivo audiovisual sobre a região.