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Até hoje, dia 18 de setembro, investigadores da Romanarmy.eu estarão no recinto fortificado de Lomba do Mouro, uma estrutura arqueológica de enormes dimensões localizada por Romanarmy.eu em 2017 e situada na fronteira entre Portugal e a Galiza, nos concelhos de Melgaço (Portugal) e de Verea (Ourense), com o objetivo de validarem a hipótese de que se trata de um acampamento militar romano de carácter temporário. A intervenção arqueológica é dirigida pelo investigador da University of Exeter, João Fonte, membro do coletivo de investigação romanarmy.eu.

A confirmar-se, Lomba do Mouro seria o acampamento romano de maiores dimensões do Noroeste Peninsular e poderia estar vinculado com a penetração e saída do atual território português e galego de um importante contingente militar de mais de 10.000 soldados. Os arqueólogos procurarão recuperar cultura material e realizarão estudos para obter datações absolutas que permitam conhecer o momento de construção, ocupação e abandono da fortificação.

Lomba do Mouro está localizado no Planalto de Castro Laboreiro (Melgaço), numa zona de especial concentração de túmulos megalíticos. Foi descoberto através da análise de dados LiDAR, cedidos pelo IGN-PNOA, e ocupa mais de vinte hectares de terreno, contando com duas linhas defensivas. A apenas oito quilómetros em linha reta e no mesmo cordal montanhoso, romanarmy.eu localizou também outro recinto fortificado de carácter temporal de dimensões similares: Chaira da Maza, no concelho de Lobeira (Ourense), o qual leva a levantar a hipótese de que se trate de uma mesma linha de avanço do exército romano. A intervenção arqueológica procurará datar e contextualizar historicamente este sítio através da cultura material recuperada e da recolha de amostras com vista à sua datação absoluta, em colaboração com o Grupo de Investigação C2TN do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa. No início de agosto, no âmbito do mesmo projeto de investigação, também se realizou uma intervenção arqueológica noutro acampamento romano localizado na Serra do Soajo, o Alto da Pedrada, no concelho de Arcos de Valdevez.

A intervenção forma parte do projeto europeu Finisterrae financiado pela Comissão Europeia através de uma bolsa individual Marie Skłodowska-Curie e é financiada pelo Fundo Ambiental (Ministério do Ambiente, Governo de Portugal), pelo Município de Melgaço e pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I.P. (ICNF), no contexto da valorização da rede de trilhos do Planalto de Castro Laboreiro. O trabalho de campo está a ser realizado em colaboração direta com a empresa Era-Arqueologia. O trabalho conta também com a colaboração da União das Freguesias de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro e do Conselho Diretivo dos Baldios da Freguesia de Castro Laboreiro, sendo estes últimos os proprietários dos terrenos.