Durante dois dias, 04 e 05 de março, o Teatro Sá de Miranda recebeu a instalação sonora de João Ricardo Oliveira. SOUNDIVARIUS – Instalação Intervenção Plástica Sonora foi apresentada a adultos e crianças.

“Esta instalação, Soundivarius é uma obra interativa, em que o visitante pode tocar. Há uma exploração. É um work in progress, um sight specific transdisciplinar”, referia o artista hoje, no final de todas as apresentaçãoes.

João Ricardo Oliveira, que usa o pseudónimo de LuxoLixoPóetico, não faz distinções entre públicos. “No meu trabalho não existem diferenças de público nem existem públicos. É um espaço aberto de criasom“, salienta. Acrescentando que “este é um projeto aberto ao planeta, é uma obra aberta ao mundo e não há públicos alvos. Eu não olho para diferença de públicos. São as pessoas que constroem a obra”.

A instalação feita com cavaletes pedia que os espectadores subissem ao palco e, seguindo as orientações do artistas, tocassem, produzindo diferentes sons. “Sou um criador sem manuais de instruções. É o espaço e é a obra. Quem está no palco está a intervir na obra. Está a partilhar e viajamos na paisagem sonora”, diz.

João Ricardo Oliveira expressa ainda que o “LixoLuxoPóetico é o real, a ação direta, é a construção e é respect. O respeito e a responsabilidade da obra e por toda a gente pelo mundo”.

João Ricardo de Barros Oliveira, agraciado com o título de Cidadão de Mérito da cidade no passado dia 20 de janeiro, é natural de Viana do Castelo, mas trabalha entre Portugal e Berlim, na Alemanha, onde centraliza o desenvolvimento da sua atividade de músico-escultor plástico sonoro.

Dedica-se predominantemente à criação de novos sons instrumentais. A dimensão da sua obra envolve desde esculturas até à conceção de novos instrumentos musicais e objetos sonoros, construídos a partir de bens recuperados do lixo.

A criação de objetos esculturais capazes de produzir sons com identidade própria, que nunca estão prontos e evoluem sempre para novas e inusitadas sonoridades, tem sido a sua cruzada de mais de duas décadas de experimentação estética e sonora.

Colaborou com diversos artistas portugueses e estrangeiros, participou em numerosos festivais internacionais de música, dirigiu workshops para crianças e seniores sobre construção de instrumentos a partir do lixo, apresentou a sua música na rádio e televisão na Noruega, Portugal, Espanha, Alemanha, Inglaterra, Áustria e nos Estados Unidos da América, tendo ainda sido compositor de música para filmes de Anna Hoegh Krohn, no qual também atuou como protagonista.