Foi no dia 05 de agosto de 1995, que Manuela Machado venceu a maratona em Gotemburgo (Suécia), tornando-se campeã mundial.

“Quando parti de Portugal para Gotemburgo, saí com a ideia de que ia ser campeã do mundo, estava completamente convencida que ia ganhar a prova. Eu queria e eu sabia que ia ser campeã do mundo. A minha forma era tal que me dava uma confiança a 100 por cento na vitória”, diz, à agência Lusa, a atleta vianense.

Nas pouco mais de duas horas e 25 minutos de corrida começou por pensar no controle que tinha de fazer às adversárias, mas, depois, o foco virou-se para a vontade em “oferecer a vitórias aos portugueses”.

“Pensava ‘eu vou ganhar isto e quero dar a vitória aos portugueses, à minha família, aos meus amigos e às pessoas que trabalham comigo diariamente'”, recordou.

Elegendo essa corrida como “uma das melhores da carreira”, Manuel Machado lembra ainda o facto de ter ficado uma volta por dar na chegada ao estádio da capital sueca.

“Na partida, eu sabia que tinha de dar três voltas à pista, saía para o percurso [pela cidade] e, no regresso ao estádio, era diretamente para a meta. Só que, no início, só demos duas voltas e eu pensei que teria de dar mais uma, nas imagens vê-se eu a perguntar se terminava mesmo ali e o júri disse que sim”, conta.

A medalha ficou, naturalmente, mas a marca (2:25:39 horas) não foi homologada porque ficaram por percorrer 400 metros.

“Só no dia seguinte é que nos disseram que faltava uma volta. Mesmo com mais uma volta, batia o recorde da prova, mas pronto, nos campeonatos o que interessa é a medalha”, disse.

Pelo primeiro lugar em Gotemburgo, além da medalha, Manuela Machado trouxe outro prémio, um Mercedes.

“Sim, ainda o uso, está bem cuidado. É um carro que nunca será vendido porque, tal como as medalhas, tem um valor sentimental e não monetário”, frisa a vianense, hoje com 56 anos e que continua a correr todos os dias.