A Câmara Municipal de Monção inaugura no próximo sábado, dia 24, às 10 horas, a escultura “Bruma”, da autoria de Ana Almeida Pinto, no âmbito da cerimónia de comemoração do 25 de abril, com o tema “O Povo o deu, o Povo o há dado”. A inauguração contará com a presença de presença de António Barbosa, presidente do Município, de Helena Mendes Pereira, diretora da zet gallery e curadora do programa de Residências Artísticas AMAR O MINHO, e ainda da artista Ana Almeida Pinto. Terá transmissão em direto, através dos canais digitais da zet gallery, projeto para as artes plásticas e visuais do dstgroup.

Localizada na fortaleza de Monção, na Antiga Ponte do Comboio, a obra de grandes dimensões é inspirada na temática da linha férrea e foi produzida para um dos baluartes da muralha de Monção, onde a artista esteve em residência artística, durante o mês de janeiro.

Bruma” é uma composição marcada pelo vazio e pelo esqueleto de ferro que a molda,  pensada como um caminho a ser percorrido. De acordo com Helena Mendes Pereira, diretora da zet gallery, galeria responsável pela execução de 24 residências artísticas do programa AMAR O MNHO, a escultura “reivindica o volume de um comboio antigo e a métrica da bitola ibérica, criando um desenho linear que exalta os grafismos e o ritmo do caminho-de-ferro”.  Ana Almeida Pinto sublinha que a obra “Encontra a sua plenitude na presença física de quem a atravessa, oferecendo um percurso sensorial e nostálgico que inscreve um novo património na paisagem envolvente, testemunhando o passado e oferecendo-se ao futuro como espaço de reflexão, partilha e encontro”.

Apesar de desativada desde 1989, a linha férrea sobrevive hoje em formato memória, como uma presença incorpórea que deixou marcas na geografia e no património local. O comboio e a linha férrea continuam a ser fortes presenças no imaginário popular da vila de Monção, fruto da importância que tiveram no desenvolvimento do território, não só como facilitador de deslocação de pessoas e de bens entre todo o Minho e terras transfronteiriças, mas também como catalisador para a criação de relações sociais e económicas que ainda hoje imperam, dando origem a histórias e tradições conjuntas que prevalecem no quotidiano das comunidades locais.

O Programa de Residências Artísticas do AMAR O MINHO é promovido pelo consórcio MINHO INOVAÇÃO, constituído pelas Comunidades Intermunicipais do Alto Minho, do Cávado e do Ave, e tem coordenação artística e de comunicação da zet gallery. Recorde-se que até ao momento foram já inauguradas diferentes obras e manifestações artísticas nos municípios de Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Barcelos, Esposende e Melgaço,  prevendo-se ainda a inauguração e apresentação de mais 14 resultados do trabalho feito pelos artistas convidados, até final de novembro de 2021.

Recorde-se que as residências artísticas que, desde junho de 2020, estão a percorrer os municípios do Minho abrangem diversas áreas disciplinares, desde a Dança à Música, passando pela Fotografia, Arte Pública, Artesanato e  Literatura, numa perspetiva de homenagem artística aos elementos identitários de cada concelho e do Minho, em geral. Helena Mendes Pereira é a curadora responsável pelas áreas da arte em espaço público, artesanato e fotografia, cabendo a António Rafael, membro da banda Mão Morta, a curadoria dos projetos na área da música, dança e literatura.

O projeto de residência artísticas é uma iniciativa de promoção da cultura, dos artistas e do turismo sob a marca “AMAR O MINHO , com o apoio do Norte 2020 e dos FEEI, que  cria a maior rede de residências artísticas nos 24 municípios representados pelas três CIM da região, numa estratégia concertada que se destina a reforçar a identidade cultural do Minho e, desta forma a dinamizar o território do ponto de vista artístico e turístico.

Do Alto Minho ao Ave, passando ainda pelo Cávado, o programa inclui artistas, nacionais e estrangeiros, que, até junho de 2021, vão habitar o território e recriá-lo em projetos de arte em espaço público, artesanato, fotografia, música, dança e literatura.