Com 25 anos de existência, o Santa Luzia Futebol Clube foi criado por um grupo de amigos em conversa de café. Inicialmente apostando no futsal masculino. Hoje os 50 atletas estão distribuídos em dois escalões de competição e uma Academia de Futsal.

As dificuldades financeiras e de espaços para treinar são as limitações apontadas, no entanto, a estratégia da direção é continuar a “cimentar o Santa Luzia como um dos melhores clubes de futsal feminino” a nível nacional e ser uma “referência” no distrito.

A Aurora do Lima (AAL): Há quanto tempo existe o Santa Luzia Futebol Clube?
Rogério Martins (RM): O Santa Luzia Futebol Clube foi fundado em 10 de junho de 1995. Este ano completou 25 anos de existência.

AAL: Por que decidiram criar este clube? Quem o fundou?
RM: A decisão partiu de um grupo de amigos que frequentava o “Café Santa Luzia” no centro comercial com o mesmo nome. O primeiro nome do clube foi mesmo “Os Amigos do Café Santa Luzia” que participou num torneio de verão de futebol de cinco, organizado pela Associação de Futebol de Viana do Castelo do qual saíram vencedores. Como vencedores desse torneio foram convidados pela Associação de Futebol de Viana do Castelo para representarem a AFVC no primeiro Campeonato de Futebol de 5, organizado pela Federação Portuguesa de Futebol. Apoiados pelo proprietário do café Sr. Eurico Rodrigues resolveram fundar um clube que se dedicasse a esta modalidade e pudesse participar nesse campeonato em 1995 organizado pela FPF.

AAL: Dedica-se em exclusivo ao futsal?
RM: Como se referiu na resposta anterior, o clube começou com o futsal masculino mantendo-se só com equipas masculinas durante vários anos. O Santa Luzia Futebol Clube ostenta aliás vários títulos de campeão distrital e de vencedor de Taças da Associação de Futebol de Viana do Castelo, em futsal masculino. Na temporada de 2009/2010 resolvemos criar a equipa feminina. Na temporada 2011/2012, que antecedeu a criação do Campeonato Nacional de Futsal Feminino, o Santa Luzia sagra-se campeão distrital da AF Viana do Castelo e consegue a promoção para o Campeonato Nacional de Futsal Feminino. Após conseguir a promoção ao Campeonato Nacional, a direção tomou a decisão de suspender o futsal masculino, para se dedicar inteiramente ao futsal feminino. Assim, na época de 2012/2013 iniciou a sua presença no Campeonato Nacional da 1.ª Divisão de Futsal Feminino, onde tem marcado presença em todas as edições, desde que a Federação Portuguesa de Futebol assumiu a organização do referido campeonato, tendo já disputado por várias vezes o play-off de apuramento de campeão nacional. Na temporada 2019/2020 o clube garantiu pela primeira vez na sua história, o acesso à Final-Four da Taça de Portugal, e encontrava-se na 2.ª posição da tabela classificativa da fase final, a apenas três pontos do líder, quando as competições foram interrompidas devido à pandemia da Covid-19. Estava a ser, até à altura, a melhor época da história do clube em termos competitivos. Recebemos recentemente a notícia de que apesar de ter sido cancelada a Final-Four da Taça de Portugal esta se irá realizar no início da próxima temporada. Em disputa estarão as equipas do Santa Luzia Futebol Clube, Sport Lisboa e Benfica, Grupo Desportivo de Chaves e ACDR Arneiros.

AAL: De competição só tem futsal?
RM: Neste momento, o clube só tem futsal com dois escalões em competição, e possui no capítulo da formação, uma Academia de Futsal para as camadas mais jovens, com equipas mistas.

AAL: Quantos atletas?
RM: Temos cerca de 50 atletas.

AAL: De que idades?
RM: Desde os cinco até aos 32 anos.

AAL: Em que competições participam?
RM: A equipa sénior participa no Campeonato Nacional da 1.ª Divisão de Futsal Feminino e na Taça de Portugal, prova na qual vai disputar a final-four como já referi. Para este ano foram já anunciadas algumas alterações ao Campeonato Nacional, com a primeira fase a disputar-se na mesma com a divisão das 16 equipas entre Zonas Norte e Sul, mas com a novidade que esta primeira fase será realizada apenas a uma volta. Outra novidade será a criação da Taça da Liga, que será realizada no final da 1.ª Fase do Campeonato Nacional. Esta nova competição será realizada em formato de final-four, estando apurados os dois primeiros classificados de cada Zona. A equipa de juniores participará no campeonato distrital de juniores, mas este ano teremos como novidade nesse escalão, a criação do Campeonato Nacional de Juniores Femininos, em formato ainda por divulgar por parte da FPF. Nos escalões mais jovens, e uma vez que não existe competição oficial de futsal nesses escalões em Viana do Castelo, a competição resume-se à participação em encontros e concentrações amigáveis.

AAL: Tem alguma sede? E espaço de treinos?
RM: Sim, temos um espaço cedido pela autarquia no pavilhão José Natário que também é partilhado por outra associação o que nos causa bastantes constrangimentos porque o espaço é muito pequeno para as nossas necessidades.

AAL: Esta pandemia afetou, de alguma forma, o clube?
RM: Com certeza, como todos os clubes e associações estamos a passar por momentos difíceis não só porque as competições estão paradas, mas também porque em termos financeiros as receitas ficaram reduzidas. Por outro lado, algumas iniciativas que costumamos realizar para angariação de fundos, não se podem realizar devido à pandemia, nomeadamente as Festas da Senhora d’Agonia e o nosso torneio internacional, que iríamos realizar em junho deste ano.

AAL: Quais são os objetivos futuros?
RM: Bem, os nossos objetivos são bem claros: continuar a ser uma referência da modalidade a nível distrital, e continuar a cimentar cada vez mais o Santa Luzia como um dos principais clubes nacionais, no panorama do futsal feminino. Para tal, pretendemos ter uma presença constante nas fases de decisão das provas em que participamos, tal como tem acontecido. Na formação pretendemos criar cada vez mais condições para termos mais jovens na modalidade. Estamos também envolvidos neste momento no processo de certificação do departamento de formação do clube, que é para nós um objetivo fundamental para cimentar e credibilizar a nossa política e estratégia de formação. Temos vindo ao longo dos anos a defender a importância da formação para a sobrevivência da modalidade, e como tal, não poderíamos estar afastados dum processo tão importante como este.

AAL: E as necessidades?
RM: Quanto às necessidades, como é evidente são muitas, desde financeiras a espaços para treinar. Precisámos de horários acessíveis aos praticantes, assim como um espaço para sede do clube, além da necessidade urgente de uma carrinha para transporte de atletas, pois o clube, neste momento, tem apenas duas viaturas com mais de 20 anos o que acarreta grandes despesas em manutenção.

AAL: Contam com algum tipo de apoio?
RM: Claro que sim, sem o apoio da autarquia, de alguns patrocinadores, associados e simpatizantes este projeto não seria possível, embora neste momento estejamos a passar por dificuldades, a minha direção é composta por gente de trabalho e muita dedicação que não desiste dos seus objetivos.

CMR