Os promotores bancários ontem detidos no distrito de Viana terão lesado 80 pessoas de Viana e Ponte de Lima e provocado um prejuízo de vários milhões de euros. A informação foi hoje avançada pelo coordenador da Polícia Judiciária de Braga.

António Gomes, coordenador da PJ de Braga, disse, em conferência de imprensa, nas instalações daquela força, que até ao momento já foram identificadas oito vítimas, ascendendo o prejuízo a mais de 1,6 milhões de euros. “Mas o número de lesados pode atingir os 80”, dizia aquele responsável.

O semanário Sol avança que um dos arguidos é o presidente da Junta de Freguesia da Ribeira, concelho de Ponte de Lima, e outro preside à direção da Associação Empresarial de Ponte de Lima.

O coordenador da PJ não confirmou estes elementos, manifestando que “não foi no exercício deles que os arguidos agiram e que, como tal, isso não é relevante para a investigação”.

Os arguidos angariavam clientes para o Deutsche Bank e tinham como âmbito de atuação todo o distrito. Prometiam investimentos seguros e de risco baixo ou nulo, com juros “muito elevados”, mas acabavam por investir o dinheiro em produtos financeiros de “elevadíssimo risco”.

Os detidos recebiam “dinheiro vivo”, apesar de, como promotores bancários, estarem proibidos de o fazerem.

As vítimas eram, por norma, idosos e pessoas de baixa escolaridade, incluindo iletrados.

Os arguidos emitiam documentos com os logótipos do banco, em que faziam constar que o dinheiro estava investido no que havia sido acordado com os clientes.

A atividade criminosa decorreria desde 2008, mas, entretanto, alguns lesados apresentaram queixa no Ministério Público, originando uma investigação pela PJ que começou há oito meses.

Foto: Semanário Sol