O ministro da Educação diz que as listagens de estabelecimentos de ensino baseadas nas médias dos exames nacionais são “injustas e redutoras”, além de “não refletirem a qualidade do trabalho das escolas”, avança a Lusa.

Nas últimas duas décadas, o Ministério da Educação passou a disponibilizar anualmente, a pedido dos órgãos de comunicação social, dados sobre os resultados dos alunos nos exames e provas nacionais, assim como as notas internas dadas pelas escolas aos estudantes e alguns dados de contexto.

Em declarações por escrito à Lusa, o ministro referiu que as classificações dos alunos dependem de diversos fatores “que não têm qualquer relação com a ação da escola”.

Nos últimos anos, o Ministério da Educação começou também a apresentar alguns indicadores para análise, como os percursos diretos de sucesso, que procuram os alunos que conseguem terminar um ciclo sem reprovar. Por exemplo, no caso do secundário, os alunos com percursos diretos de sucesso são aqueles que fazem os três anos (do 10.º ao 12.º) sem “chumbar” e que têm positiva nos exames nacionais trianuais.

Este ano, a tutela apresentou um novo indicador – intitulado equidade – que se foca nos percursos escolares dos alunos carenciados (com Apoio Social Escolar) e permite observar as escolas que se destacam por terem mais casos de sucesso entre esses estudantes.

Estes indicadores têm em linha de conta tanto com o contexto socioeconómico dos alunos e das escolas, como a avaliação integral das aprendizagens, incluindo a realizada em exames nacionais e a realizada pelos professores que trabalham diariamente com os alunos.

Apesar de considerar estes indicadores “mais sofisticados”, o ministro defendeu que mesmo assim devem “sempre ser lidos com prudência, focando-se sobretudo na evolução de ano para ano das diferentes comunidades e não tanto na comparação entre escolas”.

Sobre os resultados dos ‘rankings’, Tiago Brandão Rodrigues sublinhou a tendência de evolução positiva no sucesso escolar dos alunos nos últimos anos e a redução de abandono escolar.

“Quando analisamos as aprendizagens no ensino secundário, importa não esquecer a redução recente do abandono escolar precoce, a um ritmo ímpar no contexto europeu. Ou seja, muitos dos alunos que hoje estão no ensino secundário teriam, certamente, abandonado se esta análise tivesse sido feita há alguns anos”, sublinhou.

Os alunos mais carenciados são os que apresentam maiores dificuldades em atingir o sucesso e vários especialistas têm defendido que as escolas com maior concentração de estudantes desfavorecidos têm maior dificuldade em conseguir que os seus sejam bem-sucedidos.