A primavera
Estamos em plena primavera, mas a temperatura que a ela preside e mesmo a uniformidade atmospherica dos dias que decorrem, transportam-nos aos enregelados mezes de Dezembro e de Janeiro, se exceptuarmos os vendavaes d´aquela época.
A vegetação desabrocha a custo e enfesadamente, agora que tudo se engrinaldava luxuriantemente no campo, sob o influxo tépido do presente mês de Abril.
Oxalá. A breve trecho, a quadra mude de semelhante cariz , como parece julgar pelo esplendido que hoje se apresentou.

Muito louvável
Uma respeitável senhora residente n’esta cidade fez conhecer ao nosso louvável amigo sr. José da Penna o desejo de collaborar na manutenção Orfanato, abrindo uma subscripção, entre as pessoas das suas relações, com applicação a vestuário e roupas de cama para os internados.
Sabemos que essa subscrição attinge a importante somma de 400$00 réis, e se não declinamos já o nome da benemerita senhora é porque nos pediram toda a discreção.
Continuamos, pois, a pedir toda a coadjuvação aos iniciadores d’aquella obra meritoria e humanitaria.

A vida cara
Permanece no mesmo statoquó a carestia de tudo quanto seja minimamente necessario á vida! Não género nem artigo que aproveite á economia local que não attinja uma preço verdadeiramente fabuloso!
Carne, peixe, ovos, feijões, aves, assucar, arroz, coelhos, batatas, tudo se pinga a dinheiro de uma forma nunca vista.
Milho, então houve dias que nem um grão apareceu!
Ah! que se as penalidades applicadas aos açambarcadores, se regulassem pelas que estão adoptadas em França, não só apparecia milho como tudo mais, ao alcance de todas as bolsas!
A permittir-se a liberdade de tal commercio, diremos como Guedes de Oliveira que, dentro em pouco, um bife custa tanto como um boi!