O canal da dóca
Depois de escripto e composto o nosso editorial de hoje – Um appello – recebemos convite para uma reunião que hontem se effectuou no edifício dos Pçaos do Concelho.

O snr. Rodrigo de Abreu, depois de expôr o motivo da reunião – O assoreamento do canal da dóca – e ouvidas algumas opiniões sobre a maneira de se proceder para que o governo ordene a vinda d`uma draga ao nosso porto, disse achar conveniente representar-se-lhe n`esse sentido, sendo a representação secundada pelas camaras municipaes do districto.
Outros alvitres foram apresentados e discutidos.

No decorrer da reunião tivemos conhecimento de que a Junta Autonoma, em tempo competente, se esforçou para a vinda de uma draga, sendo porém infructiferos os seus esforços.

Para nós é quasi ponto assente que a draga, mesmo pedida pelos elementos mais importantes da nossa terra, não virá, se bem que algumas talvez se encontrem sem nada para fazer em qualquer porto ou dóca.

Em todo o caso a vinda d`esse apparelho, se se conseguir, representa um grande passo para a prosperidade do nosso porto, pois poderá limpar não só o canal de accesso á dóca como uma boa parte do leito do rio, hoje transformado n`um perfeito banco d`areias.

Temos ahi um pequeno apparelho, agora applicado no lançamento de cascalho para a formação dos alicerces dos caes em construcção, que muito bons serviços, como temos referido, prestou n´outros tempos e ainda os póde prestar na limpeza do canal da dóca. Basta para que elle possa funccionar, que se proceda á construcção de uma barcaça onde seja assente. Essa barcaça ou batelão ficará hoje por bom preço, é certo, mas muito mais caro ficará a permanencia aqui de uma draga como a Mondego ou mesmo outra de menores dimensões.

A nossa opinião é que se trabalhe a valer para que venha uma draga, e emquanto ella se empregar na limpeza do leito do rio e do canal de accesso á dóca, proceda-se á construcção do batelão para n`elle se collocar o apparelho ahi existente (….)