O antigo Mercado Municipal de Viana do Castelo, desenhado por Magalhães Moutinho, funcionou entre 1892 e 1965. A falta de condições de segurança, aliada aos problemas de higiene da infraestrutura, ditaram o seu abandono. Mais tarde, no primeiro quartel do século XX, o terreno que contemplava o velho Mercado cedeu lugar ao famoso “Prédio Coutinho”, também conhecido como “Edifício Jardim” que, apesar da sua altivez – os seus 13 andares – que provocaram alguma azia ao longo dos anos, cultivada pelos diversos executivos da Câmara Municipal, deram azo à sua atual demolição.

Estando prevista para breve a construção de um novo Mercado no local que ainda sustenta o que resta do Prédio Coutinho, representa um atentado ao mais elementar bom senso. Antes de mais, pelos constrangimentos que todo o processo causou ao longo dos anos aos diversos moradores e proprietários e, também, pelos milhões que se gastaram e continuam a gastar em nome de um pseudo melhoramento para a cidade da foz do Lima. O Prédio Coutinho, envolto em polémicas, que nos remetem para eventuais ilegalidades cometidas nos anos 70 aquando do seu licenciamento e que, ao que parece, tem servido de justificação para a sua demolição, levam-nos a pensar quantas ilegalidades se cometem neste país e que, quantas vezes, caem em saco roto, e a montanha acaba por parir um rato. Em alguns casos, tendo por base muitos dos argumentos evocados para a demolição do Prédio Coutinho – desde as questões de estética – passando pela utilidade pública e muitos outros, a verdade é que, seguindo esses critérios, muitas vilas e cidades deviam ser demolidas de forma significativa, não sendo Viana do Castelo um caso isento, pelas muitas aberrações urbanísticas que apresenta. Até porque somos um país de brandos costumes, a precisar de mudar de paradigma, sobretudo a própria Constituição, em muito obsoleta, a começar pelos alicerces da própria Justiça – pilar de qualquer Estado – e que em Portugal vive dias de amargura, tendo sido votada ao degredo. Não obstante, construir um novo Mercado na cidade, já de si desprovida de uma boa dinâmica económica, que sustente o seu bom funcionamento – uma vez que os hipermercados proliferaram e proliferam como cogumelos em floresta amena – faz-nos crer que o novo Mercado será um fiasco, já que terá que enfrentar essa feroz concorrência. As grandes superfícies comercializam todo o tipo de verduras, peixe, carnes, e outros bens que os cidadãos procuram nesses espaços, não se adivinhando bons ventos, sobretudo com o atual aumento da inflação. Além disso, o local onde se vai erguer o novo Mercado representa uma enorme dificuldade de estacionamento para quem procura a cidade, particularmente, aos que se socorrem do automóvel como meio de transporte, uma vez que a cidade de Viana do Castelo é uma cidade caótica do ponto de vista do estacionamento – sobretudo aquele que não seja pago – sendo essa uma das condições sine qua non para que se torne apelativo. Exemplo oposto, e ali bem perto, é a vizinha vila de Ponte de Lima, que nessa matéria dá cartas, bastando para isso verificar o seu frenesim de visitantes e turistas aos fins de semana, metendo a sua capital de distrito – Viana do Castelo – num bolso. Enfim, usem-se os argumentos que se usarem, a verdade é que há escolhas deveras sinistras, que os cidadãos interrogam, boquiabertos, tais são as suas consequências para o erário público, e as dificuldades de compreensão da mais elementar lucidez, sobretudo quando se quer combater a ilegalidade com atentados aos direitos dos cidadãos. Além disso, muito mais importante seria doar todas as verbas megalómanas gastas nesse processo de lesa-pátria ao Hospital da cidade que, à custa da caridade, lá se vai apetrechando com alguns meios de diagnóstico, para não evocar o estado obsoleto e deprimente das suas instalações, bem como a falta de Recursos Humanos – realidade essa indigna do século XXI – isso sim, deveria preocupar os cidadãos e, por essa via, dar azo a que as doutrinas da Justiça mudassem, pois, é uma verdadeira aberração! Mas, como se costuma dizer no senso comum,  “há a Justiça do Homem e a Justiça de Deus”, esta última é a que prevalece, a anterior não passa de um capricho ondulante, subalterno às necessidades do momento.