Aproximando-se o 10º encontro de antigos atletas e dirigentes do SCV, cumpre-me saudar todos os que desempenharam estas funções. Bem hajam!

Cumprimento com gratidão especial os sócios, de agora e de sempre desta Coletividade de 121 anos “verdadeiros”, fundada no século XIX com registo notarial!

Cumpre-me ainda dirigir uma palavra de amizade, respeitosamente, aos dirigentes atuais que em condições de extrema dificuldade conduzem este “barco”, avariado, quiça com rombos de vulto no mar bravo e violento! Sei o que isso é. Mas coragem! Onde chegar a bom porto.

Envolvo ainda nesta referência todos os atletas do Clube que com muita dignidade o têm representado!

Como os exemplos do passado por vezes merecem referência relato algo que creio não ser do conhecimento geral. Em 1976 optou-se criar uma compensação igual para todos os jogadores da equipa principal de futebol do Clube, melhorar os prémios e principalmente as condições de trabalho. Equipamentos, instalações, saúde e nas deslocações bons transportes, alimentação e alojamento. Com ajuda da AVIC escolhia-se até, ouvidos os atletas, os motoristas que inspiravam maior confiança. Os autocarros eram de luxo e os restaurantes de qualidade. E o alojamento sempre em hóteis de topo. Naturalmente este comportamento causava estranheza aos nossos adversários; Por exemplo em Chaves ficamos no Trajano, em Bragança na Pousada, em Mirandela no Mira Tua, etc., etc., sempre em viagens de dois dias. Na deslocação a Mogadouro, no inverno rigoroso, falamos de dezembro, por ausência de um bom alojamento, ficamos em Mirandela. Devido ao mal tempo o jogo não se realizou.

Repetido no dia 13 de março o jantar de sábado realizou-se no restaurante Maria Rita numa aldeia transmontana melhorada, Jerusalém de Romeu, perto de Mirandela. Não sendo habitual a deslocação de Clubes àquele restaurante à nossa chegada apresentava uma moldura humana invulgar! O jantar decorreu com óptima disposição e ficou combinado com a proprietária que em caso de vitória em Mogadouro, o que nos garantia na prática a subida à segunda divisão, jantaríamos novamente no Maria Rita! Vencemos e fomos recebidos inclusivé com bolo de aniversário porque o Vianense comemorava 79 anos! Chegamos a Viana de madrugada e houve recepção na Praça da República.

Quero referir que o treinador – jogador dessa época era o Cunha. Muito amigo do José Carlos – irmão do Ibraim – sendo os três naturais de Vila Praia de Âncora, sugeriu a sua contratação, à partida inviável dada a diferença remuneratória do plantel. Um associado (ou mais, não sei) assumiu a diferença entregando ao Clube a verba total até ao fim dessa época. Ouvido o plantel, ficou acordada a contratação. Ante uma proposta vantajosa do Canadá algumas semanas antes do fim do campeonato, com a subida assegurada, o José Carlos foi dispensado. O José Carlos voltou ao Clube, mais tarde, noutra época e até sofreu uma fractura grave ao serviço do Vianense. Era habitual ouvi-lo dizer aos companheiros que condições de trabalho como do nosso Clube não existam na primeira divisão! Bem sei que não seria tanto assim, mas foi notável.

VENHAM AO NOSSO ENCONTRO!
E EU PROMETO FAZER A QUEIMADA!

Teotónio Barreto (antigo presidente da Direção)