O Alto Minho sempre teve homens dedicados à cultura, artistas, profissionais e actores intervenientes nas políticas culturais. No entanto, eles produziram e intervieram esporadicamente e de forma isolada. Uma sociedade estruturalmente conservadora tinha muita dificuldade em entender a importância da cultura no desenvolvimento social e cívico dos seus cidadãos. Em Viana do Castelo e Alto Minho despontaram artistas relevantes para a arte moderna e contemporânea, e cidadãos ativos na criação de espaços e eventos culturais. Mas eles nunca conseguiram criar um movimento associativo em ruptura com os modelos tradicionais e envolver a comunidade em projetos de intervenção social e cultural, dignos desse nome.

Tudo isso se alterou com a criação, em 1979, cinco anos após a revolução de abril, do Centro Cultural do Alto Minho (CCAM). Novos ventos, novos ares, novas vontades! A fome de cultura, a consciência do papel social destinado aos criadores e produtores culturais, assim como a vontade em congregar esforços e valorizar o movimento associativo, foram as razões do surgimento desta instituição.

O CCAM funcionou, no princípio, como uma extensão das novas preocupações culturais nascidas do 25 de abril. Foram as forças e os actores sociais mais ‘progressistas’ a assumirem a liderança e os objetivos do CCAM. Uma época de esperança, de confiança no aceleramento da história e de solidariedade cultural. Através da cultura, em suas mais amplas asserções (literatura, artes plásticas, teatro, música, expressões audiovisuais, etc.), seria possível uma sociedade mais justa e integradora.

Durante anos o CCAM estendeu a sua influência à sociedade do Alto Minho, desde a cidade de Viana do Castelo, onde sempre teve a sua sede. Organizou-se como sendo uma instituição agregadora de associações culturais do Distrito de Viana do Castelo. Elas eram representadas no CCAM ao contribuírem para os órgãos sociais, participando na eleição dos seus membros.

As vicissitudes dos tempos, bem como as contrariedades próprias a organizações humanas obrigaram o CCAM a enfrentar desafios e problemas que quase o levaram à perda de relevância social e cultural no território onde nasceu e cresceu. Uns anos a esta parte tem vindo a recuperar o seu lugar incontornável como actor cultural na sociedade do Alto Minho. Tem estado presente na promoção e divulgação da arte, no apoio à criação artística, no diálogo colaborativo com as principais instituições sociais, culturais e politicas deste território. Ciente da sua capacidade de intervenção, apesar dos limitados recursos económicos, o CCAM acredita ter as condições necessárias para se afirmar como o interlocutor privilegiado no espaço da criação e promoção artística do Alto Minho. Mas está consciente de que esse papel só terá sentido se contribuir para o desenvolvimento social e para a defesa da cidadania de todos os habitantes do Alto Minho.

No momento em que celebra os seus 40 anos de existência, a festejar neste dia 28 de novembro, o CCAM aproveita a efeméride para se comprometer neste absoluto desígnio: viver a paixão da cultura para viver a plenitude da liberdade!

Álvaro Campelo

Professor Universitário/Antropólogo/Vice-Presidente do CCAM