Dantes, não há muitos anos, quando se queria criticar o regime e certa Imprensa Salazarista dizia-se que só se falava em Fado, Fátima e Futebol, porém estava eu muito longe de vir a supor que, nos nossos dias, esses três temas de discussão se ampliariam de forma “devastadora”…

Não é só nas páginas principais dos jornais Diários ou Desportivos como a “Bola”, o “Jogo” ou o “Record”, é, sobretudo na televisão que, a toda a hora e momento, se debruçam sobre o futebol. São, agora, os “comentadores-especialistas” dos desafios da bola e, ainda, das tricas entre os vários clubes do país, sobretudo de Lisboa, Porto, espalhando-se por Braga, Guimarães, Coimbra, Setúbal, até à Espanha, França, Inglaterra, Holanda, eu sei lá. Neste momento, até o que se passa no Brasil!… Só o Flamengo tem 40 milhões de aficionados (quatro vezes mais do que a população de Portugal).

Porém, como isto não bastasse aparecem, também, os “intelectuais do futebol” e das “arbitragens” que, a todo o instante, desde o princípio da manhã até ao fim da noite, nos dão as notícias das transferências mais caras; dos atletas mais habilidosos no pontapé na bola, conjuntamente das suas questões familiares (amorosas ou não) – com o exemplo do Cristiano Ronaldo, do Messi, etc., até nos explicarem tim tim por tim tim do quanto recebem, em milhões de euros, nas mudanças ou “transferências” de uns clubes para outros – isto vai dar a África e à Rússia – que mais não sei!?

A par disto tudo, também surgem as apostas no “Totobola”, acompanhadas das “raspadinhas”, que se prolongam em compridas filas de pessoas (jovens, velhos, mulheres de todas as idades), nas principais lojas da comunicação literária e social de Viana do Castelo e se estendem pelo mundo inteiro…

É claro que a grande maioria dessas pessoas, viciam-se no jogo das apostas na esperança de virem a receber mais alguns patacos, gastando nos “bilhetinhos coloridos”, grande parte das suas economias a ponto de ficarem cada vez mais endividados…

É que esses “bilhetinhos coloridos” chamados de “raspadinhas” vão de um a 10 euros e pessoas há que não se contém e gastam aquilo que não podem, ficando cada vez mais “encalacrados” com dívidas que se vão repercutir no seu poder de compra, roupas, alimentação, baixo nível de vida, e os conduzem a estados depressivos, mercê do vício de jogos que não tem fim.

Às vezes. Muitas vezes, é para comprarem uma esperança que dura poucos dias!…
Eu falo, e também tenho culpas no cartório, porque não é só nas “raspadinhas” que eu gasto parte das minhas economias, mas também no chamado “Euromilhões” alimentando, puerilmente, a tal esperança de vir a ficar rico de um momento para o outro, sem trabalhar…

Mas o “Euromilhões” e as “raspadinhas” estão tão bem concebidas e feitas que, quem ganha são sempre eles… Eles que comem tudo e não deixam ficar nada, como dizia o falecido Zeca Afonso.