Por vezes sentimo-nos frustrados por situações incómodas em que nos pusemos sem que meditássemos muito acerca do que estávamos a fazer. Ficamos um dia, ou até mais a pensar naquelas situações e entristecemos ou enraivecemo-nos com os demais sem culpa nenhuma e descarregamos noutras pessoas. No entanto, há que relembrar que tudo na vida é temporário, de um modo ou outro, acabamos por esquecer, e a frustração é uma dessas coisas. Se lhe derem algum tempo ela será certamente esquecida. O maior problema da frustração é as proporções que esta alcança no quotidiano, isto porque não há uma paciência pertinente da nossa parte que dê “tempo ao tempo”.

Fazemos parte de uma geração que quer alcançar tudo demasiado cedo e desconhecemos o ritmo que leva até alcançar certas metas. É certo que reter certas frustrações pode causar traumas ou algo semelhante, daí a existência de uma necessidade de as abordar abertamente para que o peso seja libertado. Este abertamente implica a fala com um amigo, um parente, ou um desconhecido no café, porque depois de libertar esta pedra é uma questão de esperar que os nossos músculos regressem à sua formal inicial e se preparem para agarrar outra.

Tudo toma proporções alastrantes quando se age com sangue quente e frustrações à flor da pele. No entanto, estas deveriam ser usadas como um alicerce forte para a construção de algo maior, como mais um motivo para seguir em frente e não apenas uma espinha entalada na garganta. A frustração pode ser usada como algo positivo de um todo maior, ao invés de um retrocesso de um passo em singular.

Márcio Luís Lima