Durante muito tempo, rogou-se a Deus que nos livrasse da peste, da fome e da guerra. Nas últimas décadas, os avanços médico-farmacêuticos, a educação para a paz e o desenvolvimento económico e social quase relegaram aquelas preces para as curiosidades da História.

Agora, a pandemia Covid-19 fez-nos recordar a pneumónica e a guerra na Ucrânia pode ser o início de outra grande guerra. Também as crises energéticas e alimentares, a estagflação (inflação sem crescimento) e o endividamento excessivo das famílias, empresas e alguns Estados – sendo Portugal um deles – podem trazer a fome a muitos milhões de europeus de modestos recursos, entre os quais se contam 2 milhões de portugueses.

Temos de reconhecer que não é sustentável continuarmos a consumir “à rico”, sendo tão pouco produtivos e competitivos. E, em consonância com este reconhecimento, os indivíduos, as famílias e as empresas e, também, as autarquias e o Governo devem gerir melhor os seus recursos, sem desperdícios e maximizando a sua utilidade.

Sabe-se que a verdade é a primeira vítima da guerra e a construção de perceções serve-se sempre da comunicação, mas ninguém pode ignorar que, invadindo sem piedade a Ucrânia, a Rússia mostra o que quase sempre foi: imperial e autocrática. 

Desde há muitos dias, as sirenes das cidades ucranianas lançam desesperados avisos de perigo de bombardeamento. E mais de 2,6 milhões de ucranianos, sobretudo mulheres e crianças, já se refugiaram na União Europeia, enquanto os seus compatriotas lutam tenaz e heroicamente pela pátria, com sacrifício da própria vida.

Oxalá que, depois deste trágico Inverno… e “inferno”, na Ucrânia, as tropas russas fiquem atascadas nas lamas da Primavera, deixando florir a paz na Europa!