A sala de visitas de Viana, ou seja, a Praça da República possui, na sua maioria, edifícios de bastante interesse, contudo, dada a sua vetustez e porque não dizê-lo, rara beleza, o edifício dos Antigos Paços do Concelho, o edifício da Misericórdia, o belo Chafariz e a Casa Solar dos Sá Pinto Sotto Mayor, todos do século XVI exceptuando a actual igreja da Misericórdia que é do século XVIII.

Outras casas mais recentes também têm o seu encanto, como seja a casa onde nasceu o ilustre artista vianense Manuel Couto Viana ou o edifício onde funcionou o antigo Banco Nacional Ultramarino, hoje uma casa comercial.

Na então Praça do Forno correram-se muitos touros, com especial relevo para a corrida em 1609, quando se transladaram os restos mortais de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, vindos da Arquidiocese de Braga para o Convento de S. Domingos, que mandara erigir e onde jaz.

Aquando da referida corrida, o Campo do Forno encontrava-se ricamente engalanado, com as janelas ornamentadas de sedas de variadas cores e os palanques que emprestavam imensa vida e colorido à multidão e também à praça.

Os antigos Paços do Concelho são Monumento Nacional e o frontispício possui uma arcada em ogiva e exibe as ramas de D. João III encimadas pela Cruz da Ordem de Cristo, uma esfera armilar de D. Manuel I e uma nau – emblema heráldico de Viana do Castelo.

A Misericórdia é, igualmente, Monumento Nacional. Erigida por João Lopes “O Moço”, em 1589, com as suas varandas e porta lateral em estilo renascença flamenga, na opinião de Figueiredo de Guerra.

O ex-hospital possui uma formosa fachada.

A igreja foi reedificada em 1714 sob o traço do Engenheiro Militar Manuel Pinto de VilaLobos. O seu tecto foi pintado de estuque Brutesco por Manuel Gomes (de Guimarães). As paredes interiores são guarnecidas de belos azulejos e têm assinatura de Policarpo de Oliveira Bernardes (1695-1778) cujos painéis versam assuntos bíblicos e referem as Obras da Misericórdia. A talha dourada da igreja foi esculpida pelo mestre entalhador Ambrósio Coelho e Orgão deve-se ao Padre Lourenço da Conceição escolhido em Sessão da Mesa de 9 de Janeiro de 1721, e residente no Porto.

Nos Claustros existe a clássica capela do Bom Despacho da família Abreu e Lima, senhores que foram da casa do Ameal.

O Chafariz é Monumento Nacional mandado fazer pelo senado vianense em 1554, obra do Canteiro Limiano (Moreira do Lima), João Lopes “O Velho”.

A casa dos Sá Pinto Sotto Mayor, hoje um banco, é de estilo renascença mandada construir por Rui de Sá Sotto Mayor, Senhor da Torre de Lanhelas, que teve a Torre demolida em 1866 e a casa edificada pelo canteiro João Lopes.

Na Viana da Foz do Lima, a Rua da Misericórdia alongou a Rua da Bandeira. Esta passou a ir do Campo do Forno ou Praça da República, agora, com a fronteira de São Vicente já na Meadela. A Rua da Misericórdia ia da referida Praça até à Rua das Correias, hoje Major Xavier da Costa. Deve o seu nome à igreja anexa à Santa Casa, cuja porta principal dá para a dita rua da Misericórdia.

Na esquina da Rua Espírito Santo elaborava-se o jornal “A Folha de Viana” e da esquina fronteira saía o jornal de fortes tendências democráticas, a “Defesa do Povo”.

Destacaram-se como jornalistas nomes como João da Rocha, Campos Monteiro, Cláudio Basto, Abúndio da Silva entre outros.
A politica podia afastar os jornalistas, mas unia-os o amor aos livros de literatura e arte. Deste modo, procuravam a livraria do Presa e a oficina de encadernação de Júlio Rosa, grande artista com encadernações à século XVIII. Também foi morador nesta rua o Dr. Meneses, conhecido por “Dr. das cadeias”, por viver numa sua casa a seguir aos Paços do Concelho que foi cadeia, homem conhecido e com uma magnífica biblioteca. Igualmente, morou Tomás Simões Viana, bibliófilo e intelectual. Na antiga rua da Misericórdia viveu, ainda, o industrial de sapataria Ventura Cardoso da Silva, que o Rei D. Carlos condecorou com as insígnias de cavaleiro da Ordem Militar de Cristo. De resto, os sapateiros de Viana que gozaram sempre de privilégios especiais, tinham a sua Confraria na Capela do Senhor do Resgate ou de S. Crispim e S. Crispiniano em 1696. Acontece, porém, que sapateiros e curtidores mudaram a sede de local, e com o declinar dos tempos um dia veio em que Mestres e Oficiais a abandonaram ao seu destino e a Capela sofreu, e foi o bondoso Padre Manuel Fernandes Lopes que a amparou e no arranjo gastou parte da sua fortuna pessoal. O Padre Manuel Lopes habitava uma casa que o cunhal ostenta uma janela cantonada, na esquina da Rua da Bandeira com a Rua Major Xavier da Costa – limite da Rua da Misericórdia.