Vem-me à memória a minha ida para França com minha esposa, recém-casados, pela primeira vez de automóvel. Que aventura! Com estradas estreitas e mal alcatroadas, sobretudo entre Vilar Formoso e Salamanca.

Uma planície deserta. Um vendaval de tal ordem que havia que segurar bem o volante tal era como um “tufão”, entre Portugal e Espanha. Corria o ano de 1968. Possuíamos um “Simca 1000”- (modelo de automóvel praticamente, desaparecido).

O resto da viagem correu sem complicações. Era a primeira vez que minha esposa descobria França. Fomos viver para um T1 de uma casa antiga, em Vitry-sur-Seine,- Val de Marne, muito próxima do Metropolitano com o mesmo nome.

A casa era sóbria, e o seu exterior, de estilo francês. Foi o que se arranjou após casamento! Havia na época muita dificuldade em conseguir hospedagem fixa, tal era o surto migratório para aquele País! Uma procura desmesurada.

Posteriormente, com o nascimento do nosso primeiro filho, em junho de 1969, o espaço do andar tornou-se exíguo e passámos, posteriormente, para um apartamento maior, um T2+1, situado na mesma localidade, por me ter surgido um novo emprego.

Fui então trabalhar para uma empresa de venda e instalação de fogões de sala e casas de banho, como desenhador – vendedor, em Montrouge, muito próximo de Paris.

Daqui, resultou a tal mudança de alojamento, devido a cotizações mensais que existiam, na época, por parte do patronato e que permitiam benfeitorizar os empregados mais creditados.

Situado num 7.º andar, era espaçoso e com todas as comodidades.
Passados dois anos (1972) tivemos uma menina.

A situação geográfica era excelente. Em redor do prédio havia um grande jardim com um parque infantil, parque de estacionamento, comércios, etc..

No regresso do trabalho, aproveitava para me divertir com os filhos. O aeroporto de Orly ficava perto, e cada avião que passava permitia distrair-me com os meus rebentos, assim como o comboio que se escutava vindo da estação de Austerlitz, em direção a Portugal.

Momentos para relembrar as saudades que nos invadiam a alma, ao pensar na nossa terra e no nosso País, cujo regresso acabou por acontecer um pouco mais tarde. Em 1976, definitivamente, graças ao pós 25 de abril de 1974. Já lá vão quase umas cinco décadas!

Ficou para trás esta pequena história de vida que nos levou a indagar melhor nível de existência naquelas terras gaulesas. Nada mais resta agora que, recordar o passado.

leandro.neves.matos@sapo.pt

Foto: Jornal do Fundão