Há, sem sombra de dúvida, demasiadas fotos pessoais espalhadas pelo Facebook e afins, havendo, já, páginas que as proíbem, quando não existir justificação plausível para serem acopladas a quaisquer tipos de publicações, exceto se forem comemorativas ou de homenagem a pessoas que pretendemos celebrar, simplesmente lembrar. ou, ainda, de eventos públicos ou de interesse público.

É aceitável, quanto a mim, que se faça esta exigência, pois há demasiada gente, independentemente de serem boas pessoas, que não fazem outra coisa, senão acrescentar àquilo que escrevem e publicam uma foto pessoal e de preferência dos próprios. Ora, eu sei e toda a gente sabe, que cada um é livre de o fazer na sua própria página, mas não é de todo desejável que o façam mesmo e que continuem com este procedimento nas páginas onde não foram proibidos de tal.

Perante tudo isto, surgem-me, então, as perguntas mais “inocentes” que se possa imaginar:
– O que pretendem as pessoas com isto?
– O que desejam, realmente, mostrar ou publicitar?
– Almejam exibir o quê? O que há ou o que não há?
O que não há, não deveria ser mostrado, porque simplesmente não existe e isso nota-se. O que há e não deixa dúvidas, mas que, infelizmente, e não raras vezes, a falta de bom senso não permite que se pense de forma consciente e se reconsidere e aceite que o que há não precisa ser publicitado a toda a hora, porque não é de todo necessário tentar convencer seja quem for, principalmente, os que nos são estranhos e até pessoas não gratas de factos tão evidentes.

Todos gostam de ser apreciados e acarinhados e, por isso, como entendem que as palavras que partilham se revelam escassas, vão acrescentando sempre que podem, fotos “artísticas”, supostamente bem escolhidas nem sempre tendo em conta o objetivo final.

As fotos fazem bastante sentido nas homenagens, nas comemorações ou eventos públicos ou mesmo as de muita gente quase incógnita, mas que não deixa de ter um perfil público, porque publicitam a sua arte, a sua escrita, a sua música, o seu artesanato, os seus produtos, o seu negócio, as suas vendas online e os seus eventos… Em contrapartida, tudo isto nos obriga ou deveria obrigar a ser mais seletivos.

Há pessoas que adoram ter muitos amigos(as), mas não é obrigatoriamente o Facebook ou quaisquer outras redes sociais que lhes vão angariar amigos: leais, corretos, românticos, ideais para uma amizade do peito. Isto de tentar ter amigos especiais à distância, semelha-se à saga: “Quem quer casar com um agricultor”; “Casados à primeira vista”; Undressed; Proposal…

Todos gostamos de ser amados. É um facto, mas isso pode levar-nos a uma exposição pública nem sempre desejável, porque os arrivistas e as pessoas mal-intencionadas andam por aí e sabem, tal com tu, que todo o ser humano deseja ansiosamente ser amado.
Lindo! Junta-se a fome com a vontade de comer.

Lúcia Ribeiro

Professora do Ensino Básico e Secundário, aposentada.