Desço a rua, viro à esquerda e corro para o autocarro. Por vezes, desço a rua sem que os meus pés toquem no chão, tal é a correria. Logo percebo que voltei às rotinas. Ao entrar no autocarro, suspiro de alívio, pois percebo que é claramente o meu dia de sorte: dois lugares vazios! Tomo o meu lugar à janela e, passados alguns minutos, as minhas duas pálpebras parecem pesar meia tonelada! Agarro-me aos pensamentos para não adormecer, afinal é o recomeço de mais um ano letivo!

Depois das férias, regressar à escola ou ao trabalho, custa a todos! Começa pelo acordar cedo e dar uma espreitadela ao novo horário, beber uma chávena de leite a correr e sair com o pão atravessado porque o autocarro não pode esperar.

É tempo de conhecer novos professores e de voltar a sentir aquela preocupação de preparar o lanche, fazer os trabalhos de casa, correr para o autocarro, estudar para os testes e não esquecer nada… Tudo para evitar uma punição, que é sempre desagradável, mesmo que seja uma simples chamada de atenção.

Mas, nem tudo é mau, porque já há data marcada para as próximas férias e, para além disso, vamos reencontrar os nossos amigos, o que suaviza o facto de termos de trabalhar intensivamente para conseguirmos dar o nosso melhor.

“Conseguirei corresponder aos novos desafios?”; “Será que o grau de dificuldade vai aumentar muito?”; “Gostarei dos novos professores?” – Estas são perguntas frequentes que nos deixam inquietos, todos os anos no recomeço de um ano letivo. Entretanto, percebo que, mais uma vez, passei algum tempo com os meus pensamentos. Esfrego os olhos e sorrio. O meu objetivo é poder sentir-me orgulhosa dos resultados, sobretudo pelo sentimento de que sou mais capaz e pela certeza de que o futuro se constrói passo a passo. Mas agora há algo que me distrai! Os pingos da chuva escorrem lentamente pela vidraça.

Acaba o ano, vai começar de novo. No interior de cada um, começa o sonho…

Marta Correia