Convictos de que a informação acreditada não dispensa um bom enquadramento gráfico, o A Aurora do Lima apresenta-se a partir de hoje de roupagem nova. É evidente que um jornal, mesmo que vistoso, se não comportar informação de qualidade, cumpre mal a sua verdadeira função. Mas isso não faz parte da cultura de uma entidade que está prestes a fazer 166 anos de existência.

Voltamos às origens. Recuperámos o lettering que utilizámos em título no nosso primeiro número, em 15/12/1855. Fizemo-lo, porque só temos que nos orgulhar dos princípios que presidiram ao nosso nascimento, a maior razão da nossa longevidade. Nesta base, procurámos orientar todo o grafismo do produto que apresentamos. Nisso se empenhou o gabinete de Rui Carvalho, sem dúvida um dos grandes designers do país. Já não é a primeira vez que o faz, numa disponibilidade que nos toca. Juntamente com os seus colaboradores, com orientação precisa e eficaz, viveu connosco todo o processo de reorganização. Daí a nossa gratidão para com ele e a sua equipa em geral.

Depois, como marco simbólico de uma nova etapa em que apostamos, produzimos uma capa separada da presente edição, uma peça a guardar, para quem gosta. Outro grande artista deste país, já com o título de comendador, o pintor Mário Rocha, amigavelmente, prontificou-se a conceber um trabalho específico para a embelezar. Na mesma, demos a palavra a dois colaboradores recém-chegados: uma jovem cronista e um jovem correspondente, a mostrar que o A Aurora do Lima está atento à sua renovação e com vontade de abraçar a modernidade. Não menos importante nesta peça, é a simbólica homenagem que fazemos aos dois vultos da arte que ilustraram as capas das edições comemorativas dos nossos 100 e 150 anos: Carolino Ramos e José Rodrigues. Cada um no seu estilo, foram dois grandes Mestres da arte em Portugal. E, como tanta outra gente da intelectualidade em geral, sem esquecer o povo anónimo, muito contribuíram para que nestes quase 166 anos de vida nunca tivéssemos claudicado.

Não ficaremos parados, é a mensagem clara que queremos deixar aos nossos leitores, agentes comerciais e vianenses em geral. Demos apenas um pequeno passo num processo que desejamos auspicioso. Contudo, para que o A Aurora do Lima continue a manter por tempo indeterminado a sua condição de jornal mais antigo de Portugal continental, há muito trabalho a realizar. Todos os que abraçamos esta causa – e são tantos – não regatearemos o esforço que nos é solicitado.