FILE - In this Sept. 2, 2015 file photo, a paramilitary police officer investigates the scene before carrying the lifeless body of Aylan Kurdi, 3, after a number of migrants died and others were reported missing when boats carrying them to the Greek island of Kos capsized near the Turkish resort of Bodrum. The tides also washed up the bodies of the boy's 5-year-old brother Ghalib and their mother Rehan on Turkey's Bodrum peninsula. Their father, Abdullah, survived the tragedy. (AP Photo/DHA, File) TURKEY OUT

Quando vou cortar o cabelo, na Praça da República, enquanto estou sentado à espera de vez, de quando em quando o amigo sr. Mateus, sempre a sorrir, vai largando, em voz alta, a seguinte “oração”: “Ai valha-me a Senhora d´Agrela que não há outra como ela”, e acrescenta: “Podíamos darmo-nos todos como irmãos e somos tão ingratos e maus!”

O sr. Mateus, além de fervoroso portista (F.C.P.), ele pronuncia-se, verbalmente, como se fosse um padre a dizer missa. Toda a gente sorri, mas a verdade é que, por vezes, me vem à mente a imagem daquela criança, na praia, semi-nua, semi-vestida, que morreu, inocentemente, nas ondas do mar, vítima do “terrorismo” existente em parte do nosso mundo.

A indiferença pelo sofrimento humano é terrível, sobretudo quando provindo da Síria e de outros países árabes e africanos, como, agora, do México, da Venezuela e, até, do “nosso Brasil”… dói muito!

E foi que então, esta semana, vi surgir nas mais diversas revistas, na rádio, na televisão, durante dias e noites, a notícia do falecimento do meu colega e pintor Júlio Pomar. Fiquei triste porque foi o meu companheiro, durante anos, na Escola S. de Belas Artes do Porto. Mas, comparando a valência para o país, com aquela que foi a do Dr. António Arnaut (falecido na mesma altura), e que “criou” o ainda actual Ministério da Saúde; comparando o muito que se falou do artista-pintor, durante dias seguidos, dos benefícios que Arnaut trouxe para a maioria dos portugueses – e o quase “injusto” e relativo pouco espaço que lhe proporcionou a imprensa portuguesa, fiquei decepcionado. É a vida!?

Já tive de recorrer, várias vezes, a hospitais públicos, para diferentes e diversas operações cirúrgicas e, praticamente, não paguei um tostão. O mesmo digo quando tive de recorrer às Delegações de Saúde.

Recordo que, numa das vezes, internado no Hospital de Viana, a meu lado, numa cama, estava um pobre trabalhador do campo, velhinho, a ser tratado por um jovem enfermeiro, que lhe ia cortando as unhas dos pés e lavando-o, por inteiro, em todo o corpo, com um carinho indiscutível.

Não haja dúvida que o Pomar foi um grande artista-pintor, mas o Dr. Arnaut foi muito mais útil para a maioria do povo português e merecia outra atenção…

Para acabar, digo que já me vai ando nojo os diálogos, os negócios, a corrupção que vai havendo entre “dirigentes”, jogadores e “críticos de futebol. Deve-se terminar, já, com esta “podridão”… Milhões de euros para dar um pontapé numa bola? Por amor de Deus!

Parabéns a quem teve a coragem de acabar com a escultura do José Rodrigues, muito mal colocada na mais linda Praça da Cidade de Viana do Castelo.

Nem tudo é mau neste mundo para termos de recorrer à “Senhora d´Agrela” onde não há outra como ela!

 

Aníbal Alcino

(Foto: Me Explica?)