Os hábitos das sociedades mais industrializadas e consumistas estão a provocar a esterilidade do nosso planeta, não só através do aquecimento global excessivo, que provoca a fusão das grandes massas de gelo polar e a subida do nível dos mares, como também com a diminuição das águas das chuvas, que tanta falta fazem para a manutenção das condições de vida na Terra.

A humanidade parece estar, agora, a despertar para esta realidade, tantas são as vozes informadas e os avisos dos cientistas e de organizações internacionais, um pouco por todo o mundo, trazendo para a ordem do dia um gravíssimo problema que urge ser solucionado rapidamente, antes que a vida, tal como é conhecida, seja exterminada do nosso planeta.

E são os grupos etários mais jovens que, com a insatisfação e rebeldia próprias da juventude, protagonizam esta luta global, no sentido de levarem os governantes das nações a alterarem as políticas e a imporem regras mais apertadas quanto aos hábitos de consumo, do combate ao aquecimento global e à procura de novas fontes energéticas menos poluentes. Sendo uma luta difícil como é esta, a da mudança de hábitos e vícios entranhados, até se compreende que possa haver alguns excessos de militância e acabem por surgir pessoas dotadas de especial sensibilidade que venham a tornar-se exemplos vivos de tenacidade e de liderança nesta luta que diz respeito a toda a humanidade.

É neste contexto que eu entendo o especial e generalizado carinho por essa menina sueca, de seu nome Greta Thunberg, que, adolescente como é, evidencia já grande firmeza nas suas convicções, um dinamismo de líder, um pensamento adulto e uma vontade indómita na luta contra o aquecimento global e pela sobrevivência da humanidade. A recente cimeira pelo clima, em Madrid, com a presença de Chefes de Estado e de Governo, que acabou por ser algo decepcionante, congregou muitos milhares de participantes nas ruas, numa manifestação grandiosa que os políticos não esquecerão, e onde Greta foi, mais uma vez, a estrela agregadora, mobilizando a imprensa de praticamente todo o mundo. E têm razão as camadas mais jovens no endurecimento da sua luta, porque serão elas a sofrer os efeitos egoistas dos governantes do mundo inteiro e o nefasto aumento do aquecimento global, se nada ou pouco se fizer que o possa contrariar.

Mas, se o efeito Greta Thunberg tem tido um impacto estrondoso no mundo inteiro e em importantes palcos mediáticos de cariz político e não só, a verdade é que sempre aparecem alegados intelectuais e políticos caracterizados pela mediocridade que, em virtude da sua situação social, se valem das atenções que alguns órgãos de comunicação lhes concedem para expressarem críticas ferozes contra a adolescente em causa. Portugal não fugiu à regra, com algumas figuras públicas patéticas a espumar saliva, de raiva, tentando desvalorizar as virtuosidades da adolescente Greta, pretendendo desacreditá-la e, até, sugerindo que essa menina estaria doente. É algo simplesmente ultrajante considerando que, face à realidade climática que o mundo vive e ao futuro negro que se perspectiva, se nada for alterado, não ostentam argumentos substantivos capazes de contrariar as convicções e a expressão de revolta de Greta Thunberg. Este grupo patético de críticos da adolescente sueca ombreia na perfeição com políticos que detêm grandes responsabilidades mundiais, donos de um deficit de massa cinzenta, que deveriam ter vergonha das declarações públicas que proferem, arvorando-se em donos das nações a que pertencem, como são os casos dos presidentes do Brasil e dos Estados Unidos da América, dois convencidos figurões com os dias contados nos cargos políticos que ocupam.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, tem sido uma voz incómoda para muitos políticos com altas responsabilidades, mas, para a generalidade dos cidadãos do mundo, é uma voz lúcida e, diria até, profética, que vai mobilizando cada vez mais defensores das alterações dos hábitos consumistas e da introdução de novas tecnologias e reconversão de indústrias, que permitam a manutenção de condições de vida para todos os seres vivos do planeta Terra, a casa de todos nós.

Saibamos sair da nossa área de conforto e alterar também hábitos enraizados, contribuindo com a nossa acção diária para um futuro mais promissor dos nossos filhos e netos, pois é isso que esperam de nós e que temos obrigação de lhes legar. E que acabem as hostilidades contra a adolescente sueca Greta Thunberg, porque é uma defensora assumida da vida saudável no planeta Terra e um verdadeiro exemplo de combatividade pelos ideais que regem a sua conduta enquanto ser humano. Ninguém tem o direito de lhe calar a sua voz de menina que sonha e que luta por um mundo melhor e mais saudável, até porque encarna os ideais da juventude do mundo nesta grande mobilização.