Quantas vezes dei por mim vítima das minhas próprias emoções. Chegada a esta conclusão, decidi ativar-me e partir para uma investigação sobre a natureza das emoções com a intenção de procurar uma forma de me emancipar, de ir para além delas.

Primeiro ponto:
No meu primeiro diário podem-se observar páginas a tentar descrever as emoções que imaginava com sete anos. Escrevo sobre a tristeza, a alegria e o amor. Hoje penso que o amor vai para além duma emoção ou sentimento, penso que será uma mudança da mente. O que antes pensei que era amor, era apego, um desejo de ter algo para ser feliz e se não o conseguisse alcançar lá vinha a frustração, a raiva, a tristeza. Como poderia isto ser amor? Se o que me importava mais era a satisfação dos meus desejos, possuir o objeto desejado, e não a intenção amorosa e livre de desejar que o outro seja feliz, não da forma que eu quero mas da forma que a ele lhe pertence. E pergunto: então faço tudo pelo outro e esqueço-me de mim? Ou no outro extremo, não me importo com o outro? A resposta é não. Esta aproximação torna a fonte do amor, não um objeto externo mas sim uma atitude da mente que é coração (que está cá dentro) e nos faz ver o que nos aparece numa perspetiva amorosa e livre de dependências que podem cair no abuso quando procuramos a fonte do amor numa pessoa, num lugar, num animal, num objeto, num trabalho…
Esta será para mim a aprendizagem mais significativa, aquela que vou estudar e praticar para o resto da minha vida. Aquela que quero tirar melhor nota porque o resultado será benéfico para mim e para os outros. É uma nota que transborda, que não pertence a ninguém e a todos. Com consciência que é um caminho que pede persistência, lembrança, confiança, atenção cuidadosa.

Segundo ponto:
A minha relação com as emoções foi maioritariamente uma relação de posse: eu identificava-me e confundia-me com elas e elas faziam-me mover como uma marioneta. Efetivamente e etimologicamente, as emoções movem. E eu tão feliz por me sentir viva quando as sentia mesmo que me deixassem de rastos. Confundia o lugar onde poderia encontrar felicidade e iludia-me que a encontraria em alguém ou num projeto quando, por estes lugares nunca serem permanentes, me levariam inevitavelmente ao sofrimento. Isto não quer dizer que não seja bom ter desejos e concretizá-los, a diferença é saber verdadeiramente que a felicidade não se vai encontra aí. Lembro-me de uma vez que fui para umas férias paradisíacas mas não encontrei lá o paraíso porque a minha mente viajou comigo e com ela as suas preocupações e tendências. Estava e continuo presa às ordens das emoções. Com uma ligeira mas profunda diferença: começo a perceber que elas me enganam e me fazem acreditar que tem de ser assim, que eu sou assim. Observo e começo a ganhar margem de manobra.

A esperança:
Temos a capacidade de mudar a qualidade da nossa mente.

Vânia Ribeiro

Psicóloga e hipnoterapeuta no centro Maispessoa.
Atriz e criadora em Ariadne