Vejo-as. Impecavelmente vestidas e maquilhadas. Em programas televisivos. Fotografias e vídeos nas redes sociais. Fazem novelas. Dão concertos. Apresentam programas. Passam modelos. Dão a cara por campanhas publicitárias. Por causas solidárias. São famosas.

Atrizes. Apresentadoras. Cantoras. Modelos. Dedicadas a todos estes ofícios. Ou apenas a um. Têm, ou não, formação.  São esmeradas. O que não importa. Realmente não. E o que importa? A beleza. Sim. Ser bonita. Bonita atriz, apresentadora, cantora, modelo. Bonita sensibilidade, valores, carisma? Não. Bonita jovem e atraente. Sensual. Ponto de partida.

E final. O resto, se lá estiver, ou se puder ser aprendido (ele até há cursos, e de tudo) depois se compõe e, dependendo das capacidades, se verá se dão para tudo ou só para algumas coisas. No entanto, a beleza física garante as primeiras e determinantes oportunidades. Contratadas. Lançadas e apoiadas. Cuidadas, como investimentos que são. Dão dinheiro a ganhar. Ótimas para o mercado. Agentes, marcas, revistas, televisões. Lucram. Até elas próprias. Para além de cachês, contratos complementares de representação. Bijuteria. Roupa. Cosmética. Estética. Erotizadas, as suas imagens e personagens são espremidas até ao tutano pelo apetite insaciável dos/as usurários/as.

As presas podem começar com 16 anos, ou menos, e singrar em progressão geométrica até ao apogeu da sua beleza erotizável. Mas, algures entre os 30, 40 ou 50 anos, quando muito, e dependendo da biologia, deixam de poder continuar a ostentar uma beleza física imaculada pela idade. Rugas, curvas, flacidez, expressam-se no corpo tal como é suposto.

Escravas do mito da eterna juventude e da sociedade do consumo e do espetáculo, desdobram-se em esforços para se manterem jovens, que é como quem diz, com emprego. Vão ao ginásio, fazem plásticas. Lutam contra o relógio. Tentam. Resistem. Mas sem remédio. São descartadas. E as indústrias passam à próxima.