A União Europeia ainda não conseguiu superar as visões nacionalistas, redutoras e egoístas por parte de alguns países que se preocupam sobretudo com o seu interesse e com os Mercados, esquecendo que, sem forte solidariedade entre todos, a União está mesmo em causa.

São necessárias mudanças profundas, nas regras monetárias, fiscais e financeiras e na obediência cega à lógica do mercado, para que a solidariedade e cooperação latentes nos povos tenham condições para serem assumidas inteiramente por todos com todas as suas consequências.

Sem esse aprofundamento e compromisso os cidadãos, em especial os mais expostos e atingidos, não terão confiança nas Instituições da U.E.; sem a confiança das pessoas a U.E. perde legitimidade e razão de ser.

Portugal no âmbito da U.E. tem assumido uma posição na linha da frente, corajosa e batalhadora na defesa de uma U.E. solidária e cooperativa; importa também aplicá-la no âmbito interno.

No âmbito do combate específico ao novo coronavírus em Portugal, como estamos?

Pelos resultados conseguidos até agora poderemos dizer que temos conduzido o combate com sucesso relativo, temos conseguido evitar o pior – rutura do Serviço Nacional de Saúde e um assustador número de baixas, evidenciaram-se algumas das nossas qualidades, capacidades e fraquezas.

Alguns países citam o caso português, nomeadamente a França, interroga-se sobre a exceção portuguesa.

 

Contudo, para vencermos, temos de saber tirar o melhor partido de todas as nossas capacidades — profissionais, de investigação e criatividade, qualidades humanas de solidariedade, cooperação e respeito pelo outro, a adaptação a novas situações, acautelando as debilidades de organização e planeamento, protagonismos pessoais e mal dizer, conseguir que todos se sintam parte integrante de modo a reforçarmos o sentido de pertença e a nossa democracia.

Uma situação anormal não pode ser combatida apenas com as estruturas, disposições, processos organizativos e logísticos dos tempos normais, há que congregar num sistema único devidamente articulado, para o fim em vista, as valências específicas dos ministérios diretamente envolvidos no combate – Saúde, MAI, Segurança Social, Defesa, Economia, Ciência, e Infraestruturas — tanto mais que uma situação anormal (senão para todos pelo menos para uma parte muito significativa exatamente a parte mais vulnerável da população), se vai prolongar por meses talvez muitos meses.

Se para a monitorização, acompanhamento e recolha de informação se encontraram soluções e estruturas específicas, com maioria de razão se têm de encontrar para a condução da ação tanto no terreno como na frente ou na retaguarda como a logística do processo.

Há que encontrar uma resposta articulada: nacional, regional e local para a grave situação de debilidade dos lares, encontrando infraestruturas, profissionais e meios logísticos para a separação das diferentes situações de infetados, não infetados e para receber os doentes que tiverem com alta.

Para melhorar a organização e capacidade logística, haverá que aproveitar e recorrer, sem preconceitos, às capacidades de quem tem formação específica para essas funções e sabe atuar em tempo de crise ou em situações de emergência é o caso, entre outros, das Forças Armadas ou de elementos seus, que poderão ser mais bem aproveitados.

Para o sucesso são indispensáveis:

Boa organização, saber, solidariedade, cooperação, sentido de responsabilidade, informação responsável, confiança, resistência e disciplina, sem esquecer que o exemplo vem de cima. Não são admissíveis disputas entre poderes ou guerrilhas corporativas e de interesses que desanimam os combatentes e enfraquecem a nossa democracia representativa e participativa.

 

Martins Guerreiro

Capitão d’Abril