Na nossa última edição, um nosso colaborador manifestava a sua estranheza e insatisfação pelo encerramento de todas as caixas multibanco na zona da Ribeira da nossa cidade. Em curto espaço de tempo, desapareceram as três que aí existiam. Parece um problema menor, mas, antes pelo contrário, trata-se de uma questão que, para além de afetar diretamente a população, especialmente a idosa, é motivo de reflexão sobre a forma como a sociedade se movimenta, negligenciando a distribuição de serviços públicos.

Privar deste serviço bancário, no mínimo, um terço da gente da urbe, obrigando-a a deslocar-se ao centro, só pode ser considerado arbítrio e falta de respeito por esta. Mas, pior, é que se trata de uma artéria onde se realiza a feira semanal, com todo o movimento comercial que esta tem, e onde se localizam a maior empresa industrial, casas de comércio e de restauração que envolvem milhares de pessoas. A isto só podemos chamar retardamento ou mesmo retrocesso na evolução da sociedade, que se deseja social, dinâmica e produtiva.

Já sabemos que as empresas, neste caso particular a banca, funcionam na base do incontestável lucro, porque ninguém sobrevive perdendo dinheiro (é pena é que ainda há bem pouco tempo assim não se pensasse, evitando os desastres que bem caros nos estão a sair), mas uma banca que menospreza clientes, atuais ou vindouros, não parece apostar em se expandir e promover o seu negócio. Uma banca que se aloja no centro urbano (tem, pelo menos oito caixas aí instaladas) é uma entidade centralista, anichada e temerosa do futuro. Ademais, este equipamento não obriga à existência de espaço com pessoal.

Depois, há os poderes locais. O setor bancário não depende destes, mas estamos perante um serviço público, que a não ser assumido por ninguém deve ser negociado com alguém. Passar ao lado do problema, iludindo-o, é que não. Não há o poder para impor, mas há o poder de exigir, negociar e servir as populações no seu todo. Obrigar idosos e gente ativa com horários de trabalho a deslocarem-se do extremo ao centro da cidade para levantar dinheiro ou executar outra qualquer operação é inverter a lógica do progresso. Que a banca se entenda e desvie parte das várias máquinas que tem concentradas, colocando-as onde são necessárias e obrigatórias, é uma questão de bom senso.