Senhor Director,
A. Lobo de Carvalho no seu pertinente artigo de opinião “Novos bárbaros” (A Aurora do Lima de 18.03.2021), insurge-se, e muito bem, contra os que querem destruir os símbolos da nossa História. Há naquele artigo um paralelismo com o que se está a passar com o Prédio Coutinho, que o Governo quer demolir por causa da sua estética, por o prédio constituir “intrusão visual e discrepância volumétrica” na definição do Plano de Pormenor do Centro Histórico.

O que é um facto é que aquele prédio é também um pedaço da nossa história. Ele conta-nos um tempo em que aquele imponente edifício era, para a maioria das pessoas, um símbolo de modernidade  e de progresso da cidade. E quanto à qualidade da sua construção, não há outro no concelho que se lhe assemelhe.

O saudoso jornalista Óscar Mascarenhas, no âmbito do seu mestrado em “Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação”, apresentou o notável trabalho “Prédio Coutinho – Património Cultural” (A Aurora do Lima de 17.10.2007), no qual defendia porque o Prédio Coutinho devia ser preservado. E em 2018, o prestigiado Arq. Fernando Maia Pinto liderou um processo no sentido daquele edifício vir a ser classificado como Património Cultural, o que infelizmente não teve aceitação por parte do Instituto do Património Cultural.

Uma coisa é certa, com a demolição daquele emblemático edifício, é um pedaço da nossa história que também é rasurado.
Atenciosamente,
Ronald Silley
West Vancouver, Canadá