Para me sentir realizada e feliz, preciso de ser, antes de tudo uma gigante em humildade, em autodisciplina e em generosidade. Procuro nunca prescindir do tempo para pensar – um segundo que seja – autenticamente a sós comigo mesma. De procurar o trilho das minhas palavras dentro de mim – na cabeça, como no sangue, na respiração, enfim, na alma, que é feita da pele mutante dos meus sonhos e das memórias das muitas vidas do meu coração. O caminho da minha simplicidade nunca é o da facilidade.

Ser disponível implica perder tempo, perder pontos na corrida para o sucesso.

O sentimento abre as portas da prisão com que o pensamento fecha a alma, como dizia Fernando Pessoa. Eu subscrevo. Sentir não é ter medo de sofrer, é expormo-nos no mais vulnerável de nós. É sermos capazes de compaixão, ou seja, de partilhar a paixão dos outros. Por vezes, as coisas pequenas da vida são as mais difíceis de suportar. É mais confortável sentarmo-nos no alto de uma montanha do que num prego. É assim na vida.

Para mim os livros são imprescindíveis, são os veículos da civilização. Sem livros, a História seria silenciosa, a literatura seria muda, a ciência aleijada, o pensamento e o raciocínio paralíticos. Uma das maravilhas da vida, é essa mesmo – a maravilha da vida.

Filomena Costa Freitas