Que cada um, vale o que valer seu lugar, na coletividade, é verdade incontestável.

Não só o lugar ou cargo, que ocupa, mas, também: o local onde nasce; a família, que pertence; o sobrenome, que possui; a escola, que frequentou: o grau académico, que obteve; o dinheiro que tem; e até o título de nobreza, que herdou, conta, definitivamente, como somos avaliados, pelo vulgo e pela elite.

Recordo ter lido – há muitos anos, – que senhora, era recebida principescamente, onde se hospedava, porque ao registá-la, o pai deu-lhe o nome de: Princesa…

Conhecido clássico da nossa literatura, cujo o nome se varreu completamente da memória, escreveu: – O zero vale consoante o lugar que ocupa: à direita ou à esquerda do cifrão. – Cito de cor, mas o sentido é esse.

  1. Francisco Manuel de Melo, em: “ Relógios Falantes”, narra o dialogo travado ente o Relógio do Paço e o Relógio das Chagas.

O do Paço, era considerado. Todos se guiavam por ele.

O das Chagas, passava por mentiroso…

Um dia, ambos se encontraram no relojoeiro. Ao devolve-los, trocaram-nos.

O Relógio do Paço, passou a ser por todos, mentiroso; o das Chagas, que era ordinário e de mau fabrico, passou a ser: “tão benquisto de verdadeiro”. O Relógio do Paço, por sua vez: “Subindo ao seu campanário ficou tão aceite, como sendo Relógio das Chagas, era murmurado”.

Assim acontece com os homens: avaliados consoante o lugar que ocupam, na sociedade…e até, pelo partido, que militam. Sabe Deus com que convicção…

Competência, mérito, sapiência… em regra, para nada serve, se não houver “ pistolão” amigo… como dizem os brasileiros, e outras coisas mais… como dizia Cruz Malpique…