Em meados da década de sessenta, um grupo de amigos vianenses e por iniciativa do Padre Dulcínio Vasconcelos, formulou a vontade de constituir um grupo coral polifónico nesta cidade, por certo não alheios à revolução cultural que se fazia então sentir um pouco por todo o mundo.

Por essa altura, a cultura da música em Viana do Castelo estava adormecida. Vivia-se da memória da extinta Banda de Música do Orfanato e da atividade do seu maestro José Pedro que ensaiava também bandas ligeiras, orfeões e marchas populares. Nada mais nos restava então que a música do folclore e a música litúrgica cantada nos ofícios religiosos.
Deste vazio de cultura musical, mas também literária e teatral, vingou apenas o Coral Polifónico, fundado em 22 de novembro de 1966.

Outro grande impulsionador, o sacerdote músico capelão de Sta Luzia, Padre Alberto Brás, foi o primeiro diretor artístico deste Coral Polifónico, tendo-o muito cedo abandonado, por motivos de saúde, ficando o Padre Dulcínio de Vasconcelos a dirigir, sendo a sua primeira atuação em 15 de julho de 1967, no Teatro Sá de Miranda.

No seu percurso registamos grande número de eventos que muito dignificam a vida deste Coral Polifónico, tendo sido um digno embaixador da sua cidade em certames, encontros e festivais nacionais e internacionais, com destaque para as deslocações a Espanha, República Checa e Itália, as atuações na RTP e na Emissora Nacional, ou atuações com a Orquestra Sinfónica do Porto ou Banda da GNR, o Festival de Vilar de Mouros. Na memória da cidade paira ainda a representação na Praça da República da cantata «Dom Garcia» de Joly Braga Santos.

Mantem ligação estreita com instituições culturais e recreativas, dentro e fora do concelho, bem como com a Câmara Municipal de Viana do Castelo, participando regularmente em iniciativas culturais localmente promovidas.

No ano de 2001, um casal de coralistas – Fernando Carvalho e Dra Lúcia Carvalho – ofereceram um prédio totalmente remodelado e adaptado ao funcionamento desta instituição. Localizado na Rua Nova de S. Bento, nº13, este Coral Polifónico beneficia de condições excelentes para ensaios, formação musical, récitas e convívios. Esta doação tem merecido o reconhecimento de todos os coralistas e de toda a comunidade Vianense.

Em 20 de janeiro de 2004, a Câmara Municipal de Viana do Castelo deliberou, por unanimidade, atribuir-lhe o título de ”Instituição de Mérito”, seguindo-se em 2008 a publicação em Diário da Républica da Declaração de Utilidade Pública.

Com uma tradição cultural rica e diversificada, o Coral Polifónico luta continuamente pela renovação e desenvolvimento de novos projetos, sem esconder a dificuldade em manter um número ideal de coralistas capazes de continuar a dignificar o seu passado. Reunindo condições para a criação de uma escola de formação vocal para cantores.

Atualmente é dirigido pelo Maestro António Araújo, diplomado com o Curso Superior de Canto e em Estudos Superiores Especializados em Educação Musical, que desde a década de 70 se dedica à atividade coral.

José de Matos

Membro do Coral Polifónico de Viana do Castelo