Quarenta e cinco anos depois de Abril ainda não adquirimos comportamentos compatíveis com uma sociedade democrática que vimos construindo, por inevitabilidade de alguns percalços.

O que se passou nestes dias com a mobilização de forças policiais e de segurança pela VianaPolis no Prédio Coutinho, a fim de se apossar das fracções naquele prédio foi vergonhoso. O aparato montado e activado para impedir que seus moradores tivessem livre acesso às fracções, revestiu-se de cenas rocambolescas, impróprias de um país civilizado, acrescidas dos cortes de água, luz e gás. Obrigando também ao lançamento de cordas pelas janelas, a fim de fazerem o reabastecimento de comestíveis, água, etc.

Não somos assim tão ricos quanto isso para que se permita a destruição de um prédio, com 105 fracções e que pode alojar mais de 300 pessoas, por troca da edificação de mais um mercado municipal — pela DUP (de jure), mas (de facto) por razão meramente estética, subjectiva, de o prédio ser alto de mais.

 

Voltando atrás, recordamos a desfaçatez de D. Moura (2006) a uma rádio local, dizendo que, dado a idade avançada dos resistentes moradores do Coutinho, a lei da vida se encarregaria de regularizar a situação!!!

Ou, então, o que o saudoso jornalista Oscar Mascarenhas propunha em sua tese de mestrado (2006) — promover o Prédio Coutinho a “património cultural”.

Cenas como a da semana passada é que nunca mais…