A humanidade está sendo assolada por uma emergência de saúde pública. Esta situação traz à memória dois eventos; um epidémico e outro pandémico. O primeiro, o combate, em 1899, à epidemia de peste bubónica que grassou no Porto, realizado por Ricardo Jorge, Médico, introdutor em Portugal da moderna saúde pública. O segundo, a pneumónica ou gripe espanhola, que ocorreu em 1918/1919, em que foi necessário mobilizar os estudantes do último ano de medicina, os chamados quintanistas, para o seu combate, atendendo à falta de médicos.

Para fazer face a esta calamidade presente temos um serviço nacional de saúde (SNS), que, apesar de nos últimos anos ter sofrido um enorme desinvestimento, está entre os vinte melhores do mundo. Contudo, atendendo aos indicadores de saúde que Portugal tem, dos melhores a nível mundial, conseguido por um SNS com um orçamento inferior à média dos países da OCDE, considerando, ainda, o nosso desenvolvimento socioeconómico-cultural, atrevo-me a dizer que, certamente, o nosso SNS se situará entre os cinco melhores do mundo. Desconheço se este género de apreciação dos serviços nacionais de saúde foi alguma vez feito.

Debruçando-nos sobre o distrito de Viana do Castelo, devo dizer e testemunhar que, quer os serviços hospitalares quer os centros de saúde, rápida e adequadamente se reorganizaram para fazer face ao COVID-19  e estão, permanentemente, a efetuar acertos em função da evolução da pandemia e dos últimos conhecimentos científicos – como um ser vivo que se adapta ajustadamente ao meio ambiente que o rodeia para poder sobreviver, neste caso para lutar com sucesso contra este COVID-19.

Os profissionais de saúde do distrito estão grandemente motivados e empenhados  de forma a responder ao desafio existente. Assiste-se a um enorme espírito de solidariedade. Como médico, posso afirmar-vos que os meus colegas irão honrar o juramento de Hipócrates. Observo isso nos seus rostos, nas suas atitudes e no seu discurso.

Por outro lado, os utentes, os doentes ou, como melhor aprecio, os consulentes, também contribuem enormemente nesta escalada, colaborando com os profissionais, compreendendo a reorganização dos serviços e acatando os seus conselhos.

Por sua vez, vemos toda a sociedade do Alto Minho, sensibilizada e alinhada com as orientações das autoridades, nomeadamente, de saúde e política, para esta cruzada.

Termino dizendo-vos que constato que todos dão o seu contributo para conter esta pandemia, ainda não controlada. Como tal, apelo para seguirem as orientações da Direção Geral da Saúde, das quais saliento: não sair de casa; cumprir a etiqueta respiratória; lavagem das mãos frequentemente; prática da distância social de dois metros. Deixo-vos com o lema de um dos cinco grandes imperadores romanos, Antonino Pio: aqueo animo – serenidade e constância.

Nelson Rodrigues

Presidente do Conselho Sub-Regional de Viana do Castelo da Ordem dos Médicos