Querido diário, no passado dia 6 de abril fui convidada para mais uma exposição de arte. 

Desta feita, referia-se ao artista Mário Rocha e estava exibida na sala de comunicações e cultura do edifício pertencente ao ISPVC. 

Confesso que de todas as obras magníficas que vi, houve um quadro que me captou a atenção, em particular. Não sei explicar o motivo, mas sei que me prendeu por longos segundos. Sinto que se pudesse, olharia para ele eternamente, assim como olhamos para o silêncio que por muitas vezes, se parece eterno.

Não menos curioso foi o artista ter decidido intitular a sua exposição como “pedaços do silêncio”. Fez-me refletir por outros longos segundos sobre como todos nós temos algo escondido nas profundezas do nosso silêncio. 

É seguro que, a partir do momento em que o começarmos a ouvir, deixa de ser um silêncio isento de significado e passa a conter em si as melhores respostas às nossas perguntas mais exigentes. 

Outras vezes, podemos encontrar no silêncio pedaços de nós. Pedaços que foram partindo e caindo ao longo do tempo. Pedaços que custa voltar a unir, mas que gritam em isolamento para que os possamos encontrar e recompor.

Assim como este artista foi capaz de produzir o melhor de si na ausência de tudo, também nós o podemos. 

Poderá ser o silêncio assustador? Talvez. Prefiro acreditar que demasiado ruído se torna, igualmente, arrepiante. Num mundo onde somos constantemente bombardeados de todo o tipo de informações oriundas de todos os lados, admiro pois quem ainda se refugie no silêncio para encontrar a paz de espírito.

Lembrei-me, de repente, que não deveriam ser apenas guardados minutos de silêncio quando alguém parte, mas sim diariamente, afinal uma grande parte de nós morre e renasce todos os dias para o mundo de uma forma diferente. Tudo muda, e nada jamais permanece igual de ontem para hoje. 

Num simples dia, muito acontece. Num silêncio intencional, nada voltará a ser igual.

Obrigada a ti, silêncio.