O choque entre gerações, o momento em que os filhos percebem que amadureceram o suficiente, não para pagar as suas contas diárias, ou comprar um automóvel ou apartamento, mas ao menos para negar uma ordem dos pais, ou então, ditar o próprio horário e rotina é um instante de importante transição para a família. É quando a estrutura original das coisas muda, porque os progenitores perdem algo do poder e os filhos iniciam o processo gradual de autonomia. Não havendo a perspicácia devida pode originar desentendimentos ou conflitos parentais. Neste contexto relembro o filme rodado por volta dos anos de 1950 a 1955 – “Juventude Transviada” – ligado à ideia da transgressão juvenil dessa época, a mostrar uma classe revoltada, a comprovar uma rebeldia desmedida, através do desempenho, na pessoa, do seu principal cineasta. Era o foco que demonstrava uma geração em revolta, que fumava cigarros, não tanto pelo prazer, mas pelo que significava em termos de desobediência.

Ocorre-me diversos cenários da minha adolescência. O caminhar na era do medo. O desabrochar para a independência seguida das mais variadas ilusões e fantasias. Os amores carregados de um romantismo doentio. Os passeios escolares e os “jornais falados”, nas aulas de português, a suportar a ironia do professor. A atmosfera familiar no acompanhamento para uma vida que se abria em fenómenos, em catadupa, principalmente no período da Segunda Guerra Mundial. O ambiente académico, já adulto, e o primeiro empego, são tónicos relevantes no firmar, saudoso, de um passado distante.

Nos tempos atuais, a relação entre pais e filhos, que atingem a juventude, é marcada por algumas questões, por dúvidas que surgem na busca de um convívio pacífico e que preze pelo entendimento mútuo. Qual o limite da liberdade dos filhos? A partir de que momento a autonomia dos jovens deve ser encarada como normal e até mesmo incentivada? São perguntas, no meu entender, na qualidade de pai e avô (que já podia, há muito, ser bisavô), que não devem ser evitadas e originam motivos de reflexão. Os livros que norteiam esta temática conexado com os psicólogos defendem uma relação de diálogo e que na transição de púbere para a adolescência o importante é não criar limites, nem proporcionar total liberdade. É o meio termo.  Dar responsabilidade e deixar claro que os atos têm retorno, na tentativa de evitar colisão. É uma fase de muitas mudanças de hormónios, que formam uma atitude de postura com o mundo, na busca de níveis de independência, que pode criar um choque cultural entre pais e filhos. Ao procurar expressar desejos, curiosidade, ter o dinheiro próprio, o adolescente pode ser incentivado por fatores externos, que o podem levar a vias sinuosas, entre as quais se incluem a prostituição, o álcool e a droga.

Alguns jovens, quando experimentam a independência, veem o mundo como se fosse uma novela, ou uma fantasia. Quando se deparam com um problema, ou qualquer situação limite, correm para os pais. Torna-se necessário que eles percebam que, dependendo do que façam, os seus atos podem assumir consequências graves. O papel dos pais deve ser, desde o começo, o de incentivador do diálogo. Assumir a posição de pessoas com mais experiência, procurando sempre conversar, como meio para entender e informar, positivamente, tendente a que os filhos possuam um relacionamento saudável, para daí possibilitar um estabelecer de compreensão a demonstrar companhia, acompanhamento e amor.

 

Nota: Esta crónica, por vontade do autor, não segue a regra do novo acordo ortográfico.