O trabalho em cooperação entre municípios cria escala, permitindo desenvolvimento estruturado, bom aproveitamento de recursos e respeito pela natureza. De uma intervenção integrada e bem conduzida resulta sempre mais progresso para as populações; e o país pode fazer uma gestão mais conveniente do seu escasso orçamento, sempre insuficiente para as muitas necessidades que se lhe colocam.

Porém, tudo deve ser feito na base de estudos sérios e objetivos bem definidos, envolvendo gente tecnicamente credenciada e nunca aqueles que têm a politica como modo de vida, se bem que respeitável. Infelizmente, as práticas, o que demonstram, é que sempre que se estabelecem novas modalidades de gestão, sejam elas a que nível for, privilegiam-se os amigos de partido, que minam por completo a reorganização de que a nação tanto necessita, mantendo-a agarrada à inércia e a práticas conservadoras.

A água é um bem demasiado precioso e sensível para que a sua gestão seja tratada de forma apressada e pouco estudada. E esta, já insuficiente para satisfazer necessidades básicas da população de todo o planeta, também entre nós é fonte de polémica. Desde que entrou em funcionamento, a empresa Águas do Alto Minho (AdAM), em Janeiro do corrente ano, detida com 51% pela Águas de Portugal (de poucas simpatias) e por sete municípios do distrito de Viana do Castelo, com 49%, nunca mais as populações gozaram de paz.

As embrulhadas têm sido tantas ao ponto de o Município de Ponte de Lima ter recomendado à AdAM, no mês de Abril, a suspensão imediata da faturação e a melhoria do atendimento, face à “insatisfação” manifestada pelos consumidores nos quatro meses de funcionamento da empresa.

Não é de admirar, por isso, que os Alto-Minhotos se organizem para levar a cabo protestos no próximo dia 8 de Agosto, exigindo o respeito de que são merecedoras, com regularização imediata dos 15 mil erros nas faturas e a anulação considerada excessiva dos aumentos da água e das taxas. Há protestos a que não se pode ficar indiferente.