Nos alicerces mais íntimos e profundos da realidade humana a que chamamos Portugal, há massa humana estratificada e fermentada por seiva celtibera, romana, gótica, árabe, mourisca, politeísta, deísta, fideísta, cristã, protestante, católica, crédula, ateia, etc..

Portugal-Nação, de pegadas negras e doiradas, tem mais de oito séculos de história… Não nasceu na Independência joanina, nem na Restauração, nem nas Lutas Liberais, nem na República, nem no Estado Novo, nem no Abril dos cravos, nem na Democracia, nem na União Europeia…

Foi menino, moço, adulto, deu passos firmes e passos errados… Na sua evolução e retrocessos intervieram todos quantos serviram a Pátria ou dela se serviram maculando as mãos… Não é produto de Individualismo mas sim da Colaboração colectiva…

A Cultura que o impregnou, orientou, ajudou a subir ou descer, foi sendo alimentada através dos tempos por: políticos, guerreiros, doutrinadores, homens das Ciências, das Letras e das Artes… Houve-os de norte a sul, nas diversas eras e circunstâncias…

Hoje, quero apenas evocar, nesta humilde crónica, dois agentes culturais que nasceram e viveram no nosso Alto Minho (Ponte da Barca). Refiro-me a dois irmãos: Diogo Bernardes e Frei Agostinho da Cruz, ambos do séc. XVI ou renascentista. Quer um quer outro foram sobretudo poetas do bucolismo, do religioso, da Natureza (mormente do Vale do Lima), da Elevação espiritual, do Amor… Ambos deixaram obra meritória, ainda hoje..

Quanto às suas biografias, conhecidas só em parte, limito-me a dizer o seguinte: Diogo Bernardes (1530-1596): amigo íntimo de “Sá de Miranda”, acompanhou o nosso infausto rei Dom Sebastião em Alcácer Quibir, onde o rei português perdeu a vida, e ele – Diogo Bernardes – ficou prisioneiro (escreveu parte da sua obra no cativeiro) tendo sido liberto por interferência do rei Dom Filipe II (domínio filipino português), regressou a Portugal, casou, foi pai, faleceu (Lisboa)… De Frei Agostinho da Cruz sabemos que se fez frade franciscano por volta dos vinte anos, viveu num convento de Sintra e que terminou seus dias como cenobita na Serra da Arrábida (Sesimbra).

Dois alto-minhotos ilustres, por haverem engrandecido a Cultura portuguesa do seu tempo. Ajudaram, a seu modo, Portugal a crescer e prosperar como Pátria sua, dos seus de então e, felizmente, ainda nossa!

Ao evocarmos estes dois alto-minhotos egrégio cuja voz nos incita, ainda hoje, a contribuirmos para um Portugal mais sadio, mais humano, mais solidário, mais europeu, saibamos, com os evocados, responder “presente” à voz da nossa Mãe-Pátria, que nos suplica sempre mais Amor e menos Ódio!!!